DECO classifica Galp e Portugal Telecom entre as cinco piores empresas portuguesas no governo das sociedades
Lisboa, 06 Mai (Lusa) - A Galp e a Portugal Telecom estão entre as cinco piores empresas portuguesas no que respeita ao governo das sociedades, revela hoje um estudo da Deco Proteste efectuado a 420 empresas nacionais e internacionais.
A eléctrica EDP, não entrou para o "top" 100 das empresas com melhor governo das suas sociedades, enquanto que a Galp e a Portugal Telecom classificaram-se entre as cinco piores companhias portuguesas do ranking, "prejudicadas pelo poder do Estado na sua estrutura accionista", conclui o boletim Proteste Poupança.
Segundo o estudo, "as empresas nacionais estão mal cotadas ao nível do governo das sociedades, porque não têm conselhos de administração independentes, não divulgam a remuneração individual dos administradores e nem sempre respeitam os direitos dos accionistas".
No conjunto das empresas portuguesas, a tecnológica Novabase é a melhor classificada, está entre as 100 melhores empresas portuguesas em termos de governação, mais precisamente no 86º lugar da lista das 420 entidades analisadas.
As cinco piores empresas nacionais do "ranking" são a Galp, no 399º lugar, seguida pela Sumolis na 402ª posição, Portugal Telecom (405ª) Estoril-Sol (409ª) e a Martifer, no 417º lugar do classificação.
A tecnológica Novabase está entre as cinco melhores empresas portuguesas (86ºlugar), aparecendo a Brisa, mais afastada, no 142º lugar.
Segue-se a Jerónimo Martins, que ocupa a 156ª posição do "ranking", a Inapa que segue no 172º lugar e a Sonaecom posicionando-se no 189º lugar de entre 420 empresas estudadas.
O boletim Proteste Poupança, da Deco Proteste, indica que em termos globais os resultados foram modestos, com as empresas a atingirem uma média de 5,4 pontos, num máximo de 10.
A liderar, surgem os mercados anglo-saxónicos, como o Reino Unido (6,8) e Estados Unidos (6,2), enquanto Portugal se ficou pelos 4,5 pontos.
Perante estes resultados, a Proteste Poupança propõe algumas medidas para proteger os pequenos investidores, nomeadamente eliminar as "golden share" e qualquer limitação ao direito de veto, a existência de um conselho de administração (CA) com maioria de membros independente e que a remuneração do CA seja aprovada em assembleia-geral de accionista e divulgada individualmente.
Além disso, destaca que o presidente da comissão executiva e o presidente do conselho de administração devem ser pessoas diferentes.
O presidente executivo deverá exercer o mandato com um tempo de permanência no cargo e/ou introduzindo um limite de idade.
Já os prémios de desempenho da administração e dos dirigentes devem ser atribuídos "com base em indicadores sólidos" e representativos do valor da empresa em mais do que um ano, devendo ser eliminadas as despesas confidenciais, para promover a transparência das contas.
A DECO refere ainda que vai comunicar os resultados do estudo e reivindicações à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), entidade que regula as empresas cotadas.
JS
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