Deco espera aumento dos pedidos de ajuda por situações de incumprimento

Lisboa, 23 Mai (Lusa) - A Associação para a Defesa do Consumidor recebe cada vez mais pedidos de ajuda de pessoas que não conseguem pagar empréstimos, tendência que espera continue a aumentar, disse hoje fonte da associação à agência Lusa.

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Até Abril, a Deco recebeu 545 pedidos de ajuda de famílias com dificuldades no pagamento de créditos, mais 35 por cento do que em igual período de 2007. No total do ano passado a Deco lidou com 1.976 pedidos de ajuda, contra os 906 de 2006.

"O número de famílias a pedir ajuda irá aumentar ainda mais nos próximos meses", disse à agência Lusa Natália Nunes, do Gabinete de Apoio ao Endividamento da Deco, dada a conjuntura económica e numa altura em que as taxas de juro continuam a subir.

"As famílias não têm poupanças e estão excessivamente endividadas", afirmou Natália Nunes, explicando que a principal causa das dificuldades é o desemprego de um ou mais membros da família, que causa a redução do rendimento.

O perfil destas pessoas em dificuldades são famílias de três elementos, com idades entre os 35 e 45 anos e com um filho menor, segundo a responsável.

"O seu rendimento mensal ultrapassa os mil euros e a escolaridade é de pelo menos o ensino secundário", explicou Natália Nunes, dizendo que estas famílias têm em média têm quatro créditos - um à habitação, um crédito automóvel e dois pessoais.

Quando chegam à Deco 90 por cento das situações, já estão em incumprimento, sem pagamento do crédito há pelo menos três meses.

A maior parte dos incumprimentos verifica-se nos créditos pessoais, segundo Natália Nunes, mas há cada vez mais situações de incumprimento no segmento da habitação.

Apesar de não ter números concretos, Natália Nunes considera que são as sociedades financeiras que terão em carteira mais créditos em incumprimento do que os bancos, já que fazem mais créditos pessoais.

"São as prestações aos créditos pessoas que deixam de ser pagas primeiro", explicou.

"Cada vez existem mais situações de valores elevados, superiores a 50 mil euros, de crédito pessoal", um aumento de valores que reflecte alterações recentes no panorama do mercado de crédito, disse a especialista.

Os dados do Banco de Portugal hoje divulgados mostram que o crédito mal parado aumentou 14,7 por cento até Março, mas o rácio entre crédito em incumprimento e crédito concedido manteve-se nos 1,9 por cento.

O crédito total cresceu 10,2 por cento.

A Deco apoia as pessoas que não conseguem pagar empréstimos a elaborar um orçamento familiar, alertando-as para a totalidade das suas despesas a longo prazo e para o rendimento esperado para esse período.

Além disso, entra, quando ainda é possível, em contacto com as instituições financeiras para tentar reestruturar as dívidas das famílias ou propõe consolidação de créditos (juntar os créditos todos numa instituição para tentar obter melhores condições de financiamento).

Também pode auxiliar as famílias com problemas a pedirem a sua insolvência em tribunal, com a possibilidade do tribunal encontrar um plano de pagamentos ou com a possibilidade do tribunal decretar a exoneração do passivo restante.

IRE.

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