Democracia foi "desapontante" face às expectativas - James Robinson

Porto, 30 jun 2025 (Lusa) -- O prémio Nobel da Economia, James Robinson, disse hoje, no Porto, que em países como os da América Latina, a democracia foi "desapontante" face às expectativas.

Lusa /

"Quando vejo países que conheço bem, como na América Latina, onde há um retrocesso da democracia, quando esta chegou prometeram-se mundos e fundos às pessoas. Pensaram que tudo ia mudar, que a sociedade ia ser revolucionada e os problemas iam desaparecer", referiu, numa intervenção na conferência da Associação Business Roundtable Portugal (BRP), no Porto. 

Mas numa sociedade com instituições "fracas" a democracia foi muito desapontante, destacou, apontando uma fé "em queda" na democracia e instituições democráticas.

No livro "Porque falham as Nações", do qual é co-autor, faz-se a distinção entre "instituições inclusivas e extrativas", lembrou, e o impacto que têm no desenvolvimento dos países.

O exemplo das Coreias do Sul e do Norte é paradigmático neste caso. "Há 50 anos estavam muito próximos", lembrou, indicando que hoje o Sul é muito próspero e o Norte está "estagnado", devido às instituições "muito diferentes".

"Foram criadas sociedades e instituições diferentes", indicou, que "empurram as pessoas numa direção ou noutra".

Robinson disse que em qualquer país pobre há "instituições económicas extrativas que favorecem uma elite".

Ainda assim, dando o exemplo dos EUA e do fim da escravatura e ascensão dos direitos civis, Robinson acredita que isto pode ser revertido, salientando que o sul do país cresceu com o fim destas instituições.

Por sua vez, o historiador económico Nuno Palma apresentou uma visão muito crítica de Portugal, desde a altura do Marquês de Pombal, referindo que o país falhou porque "não conseguiu controlar as elites extrativas".

Nuno Palma acredita que esta tendência se mantém até hoje, potenciada pelos fundos de coesão europeus.

"Os políticos são sistematicamente incompetentes", criticou, indicando que o uso de fundos europeus para financiar projetos faz com que se quebre "a ligação" entre a responsabilização dos líderes do país e o estado de desenvolvimento nacional.

"Mais tarde ou mais cedo os fundos acabarão e Portugal irá enfrentar uma crise económica enorme", salientou.

"A União Europeia precisa de acabar com fundos de coesão", disse, referindo que "não estão a fazer o seu trabalho" e apontando que Portugal, Grécia e Itália estão a receber fundos de coesão, mas estão a falhar na convergência "e, pior, estão a alimentar as instituições extrativas".

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