Descida em 2008 já não reflecte situação actual
Lisboa, 17 Fev (Lusa) - As centrais sindicais consideram que a taxa de desemprego em 2008 face a 2007 "ficou aquém do esperado" atendendo à redução da actividade económica registada, e "os números ainda não reflectem a situação actual".
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje que a taxa de desemprego atingiu os 7,6 por cento no final de 2008, o que representa um desagravamento face aos 8 por cento de 2007 e traduz um ligeiro aumento face ao trimestre anterior (em que a taxa se situou 7,7 por cento).
Para o secretário-geral da UGT, João Proença, o desemprego em 2008 "ficou um pouco aquém do esperado face ao decréscimo significativo da actividade económica e o que vem ocorrendo" em termos de encerramento de empresas e de redução de postos de trabalho.
Em declarações à agência Lusa, João Proença, salientou, no entanto, que do terceiro para o quarto trimestre já se verificou uma subida do desemprego.
Por isso, "a preocupação é que cresça mais no futuro" o que leva à "necessidade de medidas que possam reduzir o acréscimo de desempregados e combater a crise económica", defendeu João Proença.
O líder da UGT salientou que "pela primeira vez desde 2001 o desemprego baixou em termos anuais, resultado do bom desempenho nos dois primeiros trimestres" de 2008.
Arménio Carlos, da Comissão Executiva da CGTP, alerta para que os números agora divulgados para o ano passado "ainda não reflectem a situação actual, já estão desactualizados".
A preocupação da CGTP vai para a actual conjuntura, com os dados do INE para o quarto trimestre a "indiciar já um agravamento que irá acentuar-se com os próximos números" referentes ao início de 2009.
Por outro lado, "era previsível que no último trimestre se registasse um agravamento do desemprego" e Arménio Carlos realça à agência Lusa a continuação da diminuição da quebra de emprego, do terceiro para o quarto trimestre, principalmente no sector industrial, o que "reflecte uma opção errada do Governo de investimento".
A indústria é um sector produtivo "fundamental para o emprego, para as exportações e um elemento determinante para reduzir o endividamento", defendeu.
Arménio Carlos referiu-se ainda à "elevada rotação entre precaridade e desemprego", pois "mais de 40 por cento das pessoas que procuram os centros de emprego são casos de contratos não renovados".
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