Desemprego em Portugal aumenta para os 10,4 por cento
O desemprego em Portugal aumentou para 10,4 por cento em Dezembro de 2009, um aumento de 0,1 por cento em relação ao mês de Novembro do ano passado. Os dados foram avançados pelo Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) que divulgou ainda uma taxa de 10,0 por cento na Zona Euro.
Recorde-se que o Gabinete de Estatística da União Europeia tinha fixado a taxa de desemprego em Portugal no mês de Novembro nos 10,3 por cento e na Zona Euro, no mesmo período, de 9,9 por cento.
Olhando à proposta de Lei do Orçamento de Estado apresentado para este ano pelo Governo a previsão aponta para uma taxa de desemprego de 9,8 por cento.
Olhando aos 27 países-membros da União Europeia, o Eurostat anunciou a subida do desemprego para 9,6 por cento no período em análise, enquanto que em Novembro se situava em 9,5 por cento e no mês homólogo de 2008 nos 7,6 por cento.
Quanto ao número de desempregados o Eurostat refere que em Dezembro do ano passado, na União Europeia, estavam desempregados 23,012 milhões de pessoas, dos quais 15,763 milhões na zona euro.
Comparado com Dezembro de 2008, o desemprego aumentou em 4,628 milhões nos 27 Estados-membros da UE, enquanto na zona euro subiu 2,787 milhões.
Espanha com taxa de desemprego de 19,5 por centoEm termos homólogos, entre os países da UE com menores saltos na taxa de desemprego destaca-se a Alemanha (de 7,1 para 7,5 por cento), Luxemburgo (5,3 para 6,2 por cento), Bélgica (7,1 para 8,2 por cento).
Já quanto às maiores subidas, em termos homólogos, registaram-se na Letónia (de 11,3 para 22,8 por cento) e na Estónia (de 6,5 para 15,2 por cento).
Regressando ao mês de Dezembro o Eurostat assinala também que em Espanha a taxa de desemprego ascendeu aos 19,5 por cento.
Oposição preocupada com números do desemprego
Do lado da oposição há uma enorme preocupação em relação aos números do desemprego revelados hoje pelo Eurostat começando pelo PSD e pela deputada Rosário Águas que afirmou ter "uma profunda preocupação" com a taxa de desemprego de 10,4 por cento, acusando o primeiro-ministro de "falta de realismo na apreciação da profunda crise" do país e que com estes dados "Portugal passou a estar no pelotão da frente pelas piores razões, tanto na Zona Euro como na EU".
Já o Bloco de Esquerda, por intermédio da deputada Mariana Aiveca, considerou "muito preocupante" a subida da taxa de desemprego para 10,4 por cento e alertou que o Orçamento do Estado para 2010 "não dá respostas" à situação considerando que "pior que esta situação é haver um orçamento que não responde a esta questão, ou seja, é um Orçamento já desactualizado antes mesmo de ser aprovado porque as verbas nele inscritas não correspondem nem respondem a uma situação absolutamente preocupante".
Para o PCP a preocupação maior situa-se no facto do desemprego ainda ir aumentar mais já que as políticas previstas no Orçamento do Estado não permitem inverter a tendência de subida do número de desempregos.
O deputado Jorge Machado considera que "ao contrário do que o Governo afirma a espiral do desemprego não pára de crescer, com grandes preocupações por parte do PCP" até porque o Orçamento "negociado à direita" e a recusa do Governo de alargar os critérios de atribuição do subsídio de desemprego são "dois factos muito preocupantes".
Do lado do CDS-PP foi o líder parlamentar, Pedro Mota Soares, a considerar que o crescimento do desemprego é potenciado pelo modelo económico baseado no investimento público, defendendo mais apoio às pequenas e médias empresas para criar postos de trabalho.
O CDS-PP justifica este aumento da taxa de demprego com o "modelo económico errado assente quase única e exclusivamente no investimento público" considerando Pedo Mota Soares que este modelo é "uma fábrica de desemprego".