Desemprego no Reino Unido termina 2025 em máximo de cinco anos nos 5,2%

Desemprego no Reino Unido termina 2025 em máximo de cinco anos nos 5,2%

A taxa de desemprego no Reino Unido subiu para 5,2% no final de 2025, o nível mais alto em cinco anos, informou hoje o Office for National Statistics (ONS), um novo golpe para o Governo trabalhista de Keir Starmer.

Lusa /
Carlos Santos Neves - RTP

A taxa tem aumentado quase sem parar desde o regresso ao poder dos Trabalhistas no verão de 2024 e não atingia este nível desde janeiro de 2021.

Os analistas apontam há vários meses fatores como o forte aumento das contribuições patronais anunciado para o final de 2024, o aumento do salário mínimo, mas também o impacto do "Employment Rights Act", uma lei que reforça certos direitos dos trabalhadores.

"A recuperação demora a concretizar-se, o que potencialmente destaca os efeitos a mais longo prazo do aumento dos custos suportados pelas empresas", observa Jonathan Raymond, analista da Quilter Cheviot, citado pela Afp.

O ONS também anunciou hoje que o emprego entre a população de 16 a 64 anos situou-se em 75% entre outubro e dezembro do ano passado, um aumento em relação a setembro a novembro - quando se situou em 75,1% -, enquanto a taxa de inatividade económica alcançou 20,8%.

O número de pessoas na folha de pagamento no Reino Unido caiu em 11.000 em janeiro passado, atingindo 30,3 milhões, embora este último dado esteja pendente de uma revisão, segundo o organismo.

A diretora de estatísticas do ONS, Liz McKeown, disse que o número de trabalhadores na folha de pagamento diminuiu ainda mais no último trimestre do ano, "o que reflete uma fraca atividade de contratação".

Os últimos dados, acrescentou, mostram que "mais pessoas que estavam desempregadas agora procuram ativamente emprego".

O crescimento dos salários no setor público foi de 7,2% nos últimos três meses de 2025, enquanto no privado foi de 3,4%.

"A ausência de sinais de recuperação no mercado de trabalho e a nova queda no crescimento dos salários", também revelada hoje pelo ONS, "fortalecem a ideia de que o Banco da Inglaterra ainda tem pelo menos duas reduções nas taxas de juros em reserva", acrescenta Paul Dales, da Capital Economics.

"A probabilidade de que a próxima ocorra em março em vez de abril aumenta", adianta.

O Governo britânico, que luta para cumprir a sua promessa de regresso ao crescimento económico, registou nos três meses terminados em dezembro um progresso da atividade de 0,1% e um aumento de 1,3% no total do ano de 2025, segundo o ONS.

O número da inflação é esperado na quarta-feira e em 2025, a taxa de inflação no Reino Unido foi de 3,4%, muito longe do objetivo de 2% do Banco da Inglaterra (BoE).

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