Despedimento colectivo na Lear reduzido a 50 trabalhadores
A fábrica de cablagens automóveis Lear, em Valongo, iniciou o despedimento colectivo de pouco mais de 50 trabalhadores, após cerca de 280 terem acordado rescisões por mútuo acordo, disse à Lusa fonte sindical.
Ângelo Pereira, do Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (Sindel), referiu que os trabalhadores alvo de despedimento colectivo "vão tentar impugnar o processo", apesar de reconhecerem que "não será fácil".
"A empresa tem alguma sustentação na lei, porque estava a trabalhar a meio tempo", referiu o sindicalista, realçando que há cerca de uma dúzia de trabalhadores abrangidos pelo despedimento colectivo "em situação social difícil".
Os trabalhadores que aceitaram a rescisão amigável vão receber uma indemnização de 1,85 salários por cada ano de trabalho, mais diuturnidades, enquanto os objectos de despedimento ficarão apenas com um ordenado por cada ano de antiguidade, conforme previsto na lei.
No final deste processo de despedimento, a multinacional Lear pretende ter reduzido em 285 pessoas (de cerca de 880 para 589) o seu quadro de trabalhadores, uma decisão anunciada recentemente e justificada com a diminuição de encomendas do seu único cliente, a Jaguar.
Inicialmente, a empresa convidou os trabalhadores que pretendessem sair a apresentar-se voluntariamente para rescindir contrato.
Começou depois a chamar funcionários para negociar saídas por mútuo acordo, tendo agora partido para o despedimento colectivo daqueles que não aceitaram as condições oferecidas.
O Sindel aconselhou os trabalhadores a optarem pela via negocial, por considerar que, "racionalmente", é a que melhor assegura a defesa dos restantes postos de trabalho da Lear, evitando o encerramento imediato da unidade.
Isto porque, terminando no final deste ano o período obrigatório de permanência em Portugal contratado com o Estado português, deverá ser praticamente inevitável o fim do que resta da produção da Lear em Valongo e a sua transferência para países de Leste.
Para o sindicato, é mesmo possível que até 2010 não reste em Portugal ou mesmo na Península Ibérica uma única empresa de cablagens automóveis.
Instalada em Valongo há 18 anos, a multinacional Lear Corporation chegou já a empregar perto de 3.000 trabalhadores.
A Lear já encerrou a unidade de cablagens que possuía na Póvoa de Lanhoso, mantendo ainda em Portugal uma fábrica de produção de estofos automóveis em Palmela.
Por produzir para a Auto-Europa, a fábrica de Palmela não terá, por enquanto, o futuro comprometido, na opinião de Ângelo Pereira.