Dilma Rousseff tomou posse como Presidente do Brasil

Dilma Rousseff, sucessora de Lula da Silva, tomou posse como Presidente do Brasil, numa cerimónia onde estiveram quase meia centena de líderes estrangeiros, entre eles o primeiro ministro português, José Sócrates. No primeiro discurso no Congresso, a nova presidente comprometeu-se a uma luta sem tréguas para a erradicação da pobreza extrema.

RTP /
Dilma Rousseff comprometeu-se a continuar a obra de Lula da Silva e disse que um objetivo primordial será a erradicação da miséria no Brasil António Lacerda, EPA

Economista e ex-guerrilheira de 63 anos, Dilma Rousseff tornou-se este domingo a primeira mulher a assumir o lugar de chefe de Estado no Brasil. É a 40ª Presidente do país. Dilma foi eleita à segunda volta, a 31 de outubro de 2010.

"Prometo manter e defender a Constituição, cumprir as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a unidade, a integridade e a independência do Brasil", jurou a nova líder brasileira, numa sessão solene conduzida pelo presidente do Senado, José Sarney, que também preside ao Congresso.

No seu primeiro discurso no Congresso, a nova presidente do Brasil comprometeu-se a continuar a obra de Lula da Silva e classificou como prioritário a erradicação da pobreza extrema.

"A luta mais obstinada do meu governo será para erradicar a pobreza extrema" que atinge ainda 18 milhões de pessoas na oitava economia mundial, sublinhou Dilma Rousseff, referindo que este é "um compromisso" de toda a sociedade brasileira.
 
A nova presidente também mencionou como prioridades do seu governo a Educação, a Saúde e a Segurança: "Podemos ser um país mais desenvolvido e a evoluir para uma democracia vigorosa".

Líderes estrangeiros na cerimónia
A cerimónia de posse de Dilma contou com a presença do Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, o primeiro ministro da Coreia do Sul, Chung Un-chan, além dos Presidentes de 12 países da América Latina e alguns lideres africanos.

Assistiu ainda à cerimónia o primeiro-ministro português, José Sócrates.

Mais de 2600 elementos de forças da ordem brasileiras foram mobilizados para as operações de segurança.

Sócrates quer estreitar relações com o Brasil
Antes da cerimónia, o primeiro ministro José Sócrates apontou como prioridades estreitar as relações políticas e económicas entre os dois países e afirmar o Português no Mundo.

Lembrando que a economia do Brasil está num processo de internacionalização, Sócrates disse esperar que empresas brasileiras como a Embraer, Votorantim e Camargo Correa vejam Portugal como uma oportunidade.

"As principais empresas brasileiras estão a querer afirmar-se na economia global e nós gostaríamos que elas aproveitassem o facto de Portugal ser um país moderno e europeu para fazerem dali a sua base para a expansão global", afirmou o primeiro-ministro.

José Sócrates considerou ainda como estratégicas a parceria entre a Galp e a Petrobras e as presenças da PT no Brasil, bem como a da Embraer em Portugal: "É assim que se constrói um futuro comum. Não apenas com base no romantismo de uma história comum, o que nos interessa valorizar, mas principalmente olhando com confiança e juntando forças para competirmos na economia global".

Compra da dívida não está na agenda
Sócrates rejeitou ainda a possibilidade de no encontro marcado para amanhã com a nova Presidente vir a discutir a compra de títulos da dívida pública portuguesa por parte do Brasil.

"Não vou falar com Dilma Rousseff a propósito disso. O Brasil sabe muito bem o que fazer e não precisa de conselhos sobre como investir as suas reservas. Mas é verdade que o Banco do Brasil, no quadro das suas atividades, compra dívidas de Estados soberanos, e a prioridade que atribuirá à divida euro é matéria do Brasil", afirmou Sócrates.

O primeiro-ministro português referiu ainda ter uma "excelente relação" com Dilma Rousseff e elogiou o Presidente cessante, Lula da Silva.
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