Draghi considera que Espanha atuou "da pior maneira" no caso Bankia
Madrid, 31 mai (Lusa) -- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje que o Governo espanhol atuou da "pior maneira possível" com o resgate do Bankia, ao "subestimar" inicialmente o problema.
Citado pelas agências de noticias espanholas, Draghi disse que isso pode levar a que o resgate seja mais caro, um erro, considerou, que já foi cometido por outros países como a Bélgica no caso do Dexia.
"O que mostram os casos do Dexia e do Bankia é que, quando nos enfrentamos com dramáticas necessidades de recapitalização, a reação dos Governos ou dos supervisores nacionais é subestimar a importância do problema, apresentar uma primeira avaliação, depois uma segunda, uma terceira, uma quarta", disse Draghi, intervindo na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu.
"Essa é a pior maneira possível de fazer as coisas, porque ao final todos acabam por faze o correto, mas ao custo mais alto possível", disse.
Nesse sentido, Draghi apelou aos Governos europeus que é melhor "errar por excesso ao início do que errar por defeito", procurando na avaliação das necessidades de capitalização dos bancos "exceder-se na transparência".
Na opinião do presidente do BCE, a principal lição que se tira da crise do Bankia é que "é necessária uma maior centralização da supervisão bancária".
"Especialmente para os grandes grupos sistémicos. E sistémico não significa necessariamente transfronteiriço, como podemos ver com o Bankia: não é transfronteiriço, mas é sistémico", disse.
O Bankia e a sua holding (BFA) necessitarão de um resgate total de mais de 23,4 mil milhões de euros, com o apoio total ao setor financeiro espanhol a poder ultrapassar os 60 mil milhões de euros.