Duas barragens no rio Kwanza garantem mais de 4.000 MW de eletricidade a Angola

Laúca, Angola, 04 set (Lusa) - Dois aproveitamentos hidroelétricos em obra no rio Kwanza vão gerar mais de 4.000 Megawatts (MW) de energia elétrica a partir de 2017 e garantir assim grande parte das necessidades nacionais angolanas, foi hoje anunciado.

Lusa /

Em causa está a obra de alargamento da barragem de Cambambe, construída no tempo colonial (entre 1958 e 1962), que vai passar dos 276 MW para "mais de 2.000 MW", anunciou hoje o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, de visita oficial à província do Cuanza Norte.

No mesmo troço do rio Kwanza está em curso a construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Laúca, com conclusão prevista também para 2017 e que vai gerar 2.004 MW de energia elétrica.

"A contribuição da província do Cuanza Norte para a reconstrução e o desenvolvimento económico e social do país será ainda maior", destacou o chefe de Estado angolano, na abertura da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que hoje está reunida em Laúca.

Além de Cambambe e de Laúca, o rio Kwanza conta com cerca de uma dezena de aproveitamentos hidroelétricos construídos ou em construção.

Na visita a Laúca, o Presidente angolano sublinhou que no início dos anos 70 do século passado a província do Cuanza Norte "era produtiva", mas que essa riqueza "estava concentrada nas mãos dos colonos e das autoridades coloniais portuguesas".

"Havia com certeza um plano de desenvolvimento do território de que resultou as infraestruturas, as cidades e as vilas que herdamos. Uma economia produtiva e de serviços em marcha. E vários projetos prospetivos para o crescimento desta região", disse José Eduardo dos Santos.

Contudo, acrescentou, o período de guerra que o país viveu nas nos anos seguintes à independência, em 1975, "desarticulou o funcionamento da economia, das instituições e da sociedade" também no Cuanza Norte.

"Tendo em conta esse passado e tendo em conta também o presente, devemos agora estudar as bases para construir o nosso futuro no sentido de melhorar as vidas de todos os cidadãos", advogou.

Defendeu, assim, que os planos de ordenamento o território ou de desenvolvimento económico e social, devem estabelecer "como primeira meta" a recuperação dos "níveis de produção e de prestação de serviços de 1973 e depois crescer".

A visita do Presidente angolano a Laúca marca o desvio, durante os próximos três anos, do troço natural do rio Kwanza, para permitir a construção da infraestrutura propriamente dita, que terá mais de 150 metros de altura.

A barragem de Laúca vai custar mais de três mil milhões de euros e, no pico da obra, em outubro de 2015, deverá empregar cerca de 6.000 trabalhadores, quase o dobro do volume atual, de acordo com fonte da empresa brasileira Odebrecht, responsável pela empreitada.

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