Economia do Japão termina 2025 a recuperar de forma fraca e abaixo do esperado
A economia do Japão voltou a crescer no último trimestre de 2025, mas a recuperação foi muito fraca e menos acentuada do que o esperado, segundo dados oficiais divulgados hoje.
O Produto Interno Bruto (PIB) japonês, impulsionado no final do ano pelas medidas de estímulo da primeira-ministra Sanae Takaichi, cresceu 0,1% no período de outubro a dezembro face ao trimestre anterior.
A ligeira recuperação reflete uma melhoria após a contração revista de 0,7% registada no terceiro trimestre, mas está muito aquém das expectativas dos economistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg (+0,4%).
Ao longo de 2025, o PIB da quarta maior economia do mundo registou um crescimento económico de 1,1%, recuperando após uma contração de 0,2% em 2024.
Após tornar-se a primeira mulher a liderar o Governo do Japão, em outubro, Takaichi anunciou em novembro um pacote de estímulo de 117 mil milhões de euros, incluindo subsídios energéticos e cheques para as famílias, para aliviar o peso da inflação persistente e impulsionar a atividade económica.
Os preços no consumidor no Japão subiram 2,4% em dezembro, em comparação com o ano anterior (excluindo os produtos frescos), marcando uma desaceleração graças aos subsídios governamentais, mas mantendo-se muito acima da meta de 2% do banco central.
E o consumo continua sob pressão: os gastos médios das famílias caíram 0,3% em dezembro face ao ano anterior, de acordo com dados oficiais divulgados no início de fevereiro.
"Desafios aguardam o governo de Takaichi, que procura travar o declínio prolongado do Japão, incentivando o investimento interno em setores estratégicos através de uma política fiscal proativa", observaram os economistas do banco UBS, ainda antes da divulgação dos dados.
"Persistem as preocupações sobre a eficácia da política orçamental e os riscos do aumento da dívida e da inflação", alertaram.
Antes das eleições gerais de 08 de fevereiro, que lhe garantiram uma maioria absoluta no parlamento, Takaichi prometeu reforçar as medidas, isentando os produtos alimentares do imposto sobre o consumo de 8% durante dois anos.
O Governo voltou a prever um orçamento recorde para este ano.
Depois de praticamente estagnar em 2024, a economia japonesa teve de lidar no ano passado com a ofensiva tarifária lançada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sendo que as exportações são um motor crucial do crescimento do arquipélago.
Foi alcançado um acordo comercial entre as duas potências durante o verão, fixando as tarifas norte-americanas sobre os produtos japoneses em 15%, abaixo dos 25% que tinham sido ameaçados, mas muito acima do nível inicial.
As exportações japonesas para os Estados Unidos caíram mais 11,1% em dezembro, em comparação com o ano anterior.
Uma outra nuvem pairava sobre a economia japonesa: a renovação das tensões geopolíticas entre Tóquio e Pequim, que anunciou o endurecimento das restrições comerciais, enquanto o fluxo de turistas chineses para o arquipélago praticamente desapareceu.