Economia
Economia portuguesa contrai-se e desemprego sobe
O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) perspectiva, para 2011, a estagnação da economia e o agravamento do desemprego em Portugal, num contexto de recuperação mundial a diferentes velocidades. Mas fá-lo sem ter em conta as medidas de austeridade preparadas pelo Governo. Acrescentando-as aos cálculos, a organização admite que o país sofra uma contracção de 1,4 por cento.
Segundo o relatório World Economic Outlook, conhecido esta quarta-feira, a economia portuguesa deve completar o ano de 2010 com um crescimento de 1,1 por cento, contra a anterior estimativa de 0,3 por cento. Em 2011, o cenário é de estagnação (zero por cento). Quanto à taxa de desemprego, o FMI corrige em baixa a previsão para 2010, de 11 para 10,7 por cento. O próximo ano deverá trazer um agravamento para 10,9 por cento.
Contudo, estes números não têm ainda em conta o novo pacote de austeridade que o Governo português decidiu inscrever na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano. Em declarações citadas pela agência Lusa, Jörg Decressin, director-adjunto do Fundo, antecipa que as medidas para a redução do défice das contas públicas tenham, em 2011, “um impacto substancial” na economia do país: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá, então, “sofrer uma contracção de cerca de 1,4 por cento”.
Nas perspectivas para a evolução dos preços, o FMI antecipa taxas de inflação de 0,9 por cento em 2010 e de 1,2 por cento em 2011. E o cenário revela-se igualmente sombrio no que diz respeito à balança comercial. Para 2010, a previsão é de um valor negativo de dez por cento. Para 2012, o Fundo faz uma previsão de -9,2 por cento.
O relatório chama a atenção para as “diferenças significativas” que se verificam na Zona Euro, destacando as “graves restrições de financiamento externo” para Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Já a Alemanha deverá prosseguir uma recuperação “moderada”, vendo o seu PIB passar de um crescimento projectado de 3,3 por cento em 2010 para dois por cento no ano seguinte.
“Uma recuperação desequilibrada”
O FMI prevê, por outro lado, que a economia mundial, impulsionada pelos mercados emergentes, cresça este ano 4,8 por cento, abrandando, em 2011, para 4,2 por cento. Para os Estados Unidos, as previsões de crescimento são revistas em baixa – 2,6 por cento em 2010 e 2,3 por cento em 2011.
Numa altura em que o Mundo ainda enfrenta os efeitos do terramoto financeiro, a recuperação das economias globais revela-se não só “desigual” como “frágil”, na leitura dos analistas do Fundo. O desemprego, salienta a organização, é hoje o maior desafio, atingindo mais de 210 milhões de pessoas em todo o planeta. Desde 2007, o número de desempregados cresceu em 30 milhões e três quartos desse aumento tiveram lugar em economias ditas avançadas.
“A recuperação económica mundial está em curso. Mas é uma recuperação desequilibrada, lenta nos países avançados e muito mais forte nos países emergentes e em desenvolvimento”, disse em conferência de imprensa o economista-chefe do FMI Olivier Blanchard. Para lembrar, em seguida, que a realidade de um Mundo interligado obriga os países a actuar de forma coordenada.
“Se os países avançados não puderem contar com uma forte procura privada, tanto interna como externa, terão dificuldades em alcançar a consolidação fiscal e as preocupações com os riscos soberanos podem, facilmente, fazer descarrilar o crescimento. Se o crescimento abrandasse ou até mesmo parasse nos países avançados, os países de mercados emergentes teriam dificuldades em demarcar-se”, assinalou o responsável.
Contudo, estes números não têm ainda em conta o novo pacote de austeridade que o Governo português decidiu inscrever na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano. Em declarações citadas pela agência Lusa, Jörg Decressin, director-adjunto do Fundo, antecipa que as medidas para a redução do défice das contas públicas tenham, em 2011, “um impacto substancial” na economia do país: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá, então, “sofrer uma contracção de cerca de 1,4 por cento”.
Nas perspectivas para a evolução dos preços, o FMI antecipa taxas de inflação de 0,9 por cento em 2010 e de 1,2 por cento em 2011. E o cenário revela-se igualmente sombrio no que diz respeito à balança comercial. Para 2010, a previsão é de um valor negativo de dez por cento. Para 2012, o Fundo faz uma previsão de -9,2 por cento.
O relatório chama a atenção para as “diferenças significativas” que se verificam na Zona Euro, destacando as “graves restrições de financiamento externo” para Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Já a Alemanha deverá prosseguir uma recuperação “moderada”, vendo o seu PIB passar de um crescimento projectado de 3,3 por cento em 2010 para dois por cento no ano seguinte.
“Uma recuperação desequilibrada”
O FMI prevê, por outro lado, que a economia mundial, impulsionada pelos mercados emergentes, cresça este ano 4,8 por cento, abrandando, em 2011, para 4,2 por cento. Para os Estados Unidos, as previsões de crescimento são revistas em baixa – 2,6 por cento em 2010 e 2,3 por cento em 2011.
Numa altura em que o Mundo ainda enfrenta os efeitos do terramoto financeiro, a recuperação das economias globais revela-se não só “desigual” como “frágil”, na leitura dos analistas do Fundo. O desemprego, salienta a organização, é hoje o maior desafio, atingindo mais de 210 milhões de pessoas em todo o planeta. Desde 2007, o número de desempregados cresceu em 30 milhões e três quartos desse aumento tiveram lugar em economias ditas avançadas.
“A recuperação económica mundial está em curso. Mas é uma recuperação desequilibrada, lenta nos países avançados e muito mais forte nos países emergentes e em desenvolvimento”, disse em conferência de imprensa o economista-chefe do FMI Olivier Blanchard. Para lembrar, em seguida, que a realidade de um Mundo interligado obriga os países a actuar de forma coordenada.
“Se os países avançados não puderem contar com uma forte procura privada, tanto interna como externa, terão dificuldades em alcançar a consolidação fiscal e as preocupações com os riscos soberanos podem, facilmente, fazer descarrilar o crescimento. Se o crescimento abrandasse ou até mesmo parasse nos países avançados, os países de mercados emergentes teriam dificuldades em demarcar-se”, assinalou o responsável.