Economia portuguesa financiou exterior em 2,5% do PIB no ano terminado em setembro
A economia portuguesa financiou o exterior em 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses terminados em setembro, tendo os particulares registado uma capacidade de financiamento de 4,2% do PIB, segundo dados do BdP.
"No ano acabado no terceiro trimestre de 2025, a economia portuguesa financiou o exterior em 2,5% do PIB", refere o Banco de Portugal (BdP) num comunicado hoje divulgado sobre as interligações entre setores nas contas nacionais financeiras e que representa um crescimento face aos 2,4% anunciados em outubro e referentes aos 12 meses terminados em junho.
Os mesmos dados referem que os particulares, o setor financeiro e as administrações públicas tiveram capacidades de financiamento respetivas de 4,2%, 1,3% e 0,4% do PIB.
Já as empresas não financeiras, por sua vez, "foram o único setor residente a apresentar necessidade financiamento, de 3,4% do PIB".
Os particulares tiveram a maior capacidade de financiamento e financiaram todos os restantes setores -- com destaque para o setor financeiro.
Em termos líquidos, o financiamento dos particulares ao setor financeiro representou 1,4% do PIB, uma variação para que contribuiu, sobretudo, o aumento dos depósitos (2,9% do PIB) e o investimento em regimes de seguros e em ações ou outras participações (1,0% do PIB), "parcialmente compensado pelo aumento dos empréstimos obtidos (3,6% do PIB), designadamente com finalidade de habitação".
Por sua vez, o setor financeiro financiou, em termos líquidos, o resto do mundo e as empresas não financeiras.
O financiamento líquido para o resto do mundo representou 4,4% do PIB, "refletindo a compra de títulos de dívida emitidos pelo exterior (11,6% do PIB), que foi parcialmente compensada pelo aumento de depósitos de não residentes junto de bancos residentes (7,5% do PIB)".
As administrações públicas financiaram, em termos líquidos, o setor financeiro em cerca de 2,5% do PIB, fruto do aumento dos depósitos das administrações públicas (1,5% do PIB) e da redução de títulos de dívida pública em carteira das instituições financeiras (-1,0% do PIB).
Já o financiamento das administrações públicas pelos particulares representou 0,9% do PIB - muito devido ao interesse em certificados de aforro -- e o resto do mundo 0,8% do PIB -- devido à subida de títulos de dívida pública em carteira de não residentes (6,0% do PIB), que foi superior ao aumento de depósitos junto do exterior (4,8% do PIB).
O resto do mundo financiou as empresas não financeiras em 2,0% do PIB, em termos líquidos, tendo o BdP destacado o investimento no capital de empresas não financeiras (2,6% do PIB) e em títulos de dívida emitidos por estas empresas (0,9%) do PIB.
O banco central assinala que estes efeitos "foram parcialmente compensados pelo investimento das empresas em ações e outras participações de entidades não residentes (1,3% do PIB)".