Economia portuguesa recupera 0,3 por cento

Portugal acompanha as economias europeias ao recuperar 0,3 por cento no segundo trimestre do ano, em relação aos três meses anteriores, com o Produto Interno Bruto (PIB) a cair 3,7 por cento em termos homólogos, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

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Economia portuguesa seguiu a tendências das principais economias europeias RTP

Os dados avançados hoje pelo INE em relação à estimativa rápida indicam que no primeiro trimestre do ano a economia inverteu a tendência de queda de três trimestres consecutivos, acompanhando assim a recuperação das duas maiores economias da Zona Euro, a Alemanha e a França.

O comportamento do PIB saiu assim melhor do que esperado pelos economistas que estimavam um recuo de 0,6 por cento.

No primeiro trimestre do ano, o PIB contraiu-se 1,8 por cento face ao trimestre anterior, um valor revisto em baixa face aos 1,5 por cento revelados anteriormente.

Já no que respeita à taxa homóloga, a queda observada entre Abril e Junho compara com um recuo de 3,9 por cento no primeiro trimestre, uma variação também revista em baixa face aos 3,7 por cento divulgados em Maio.

No boletim o INE informa que "a contracção em termos homólogos do PIB no segundo trimestre, à semelhança do que já se tinha verificado no trimestre anterior, esteve fundamentalmente associada à redução acentuada das Exportações de Bens e Serviços, do Investimento e, em menor grau, das Despesas de Consumo Final das Famílias".

UGT fala em "sinais positivos"
O secretário-geral da UGT, João Proença, já reagiu aos últimos dados do INE referentes à economia portuguesa para os considerar como "sinais positivos" e como uma evolução "normal" por razões conjunturais.

João Proença refere que "são sinais positivos, mas nada de surpreendente em termos de evolução normal em período de crise" ao mesmo tempo que considera "ser normal que a economia tenha subido face ao trimestre anterior, pois sectores como o turismo e a construção registam crescimentos" o que também contribui para uma estabilização do desemprego neste período.

Mas João Proença não deixou de salientar que "as previsões para 2009 de uma quebra de 3,5 a quatro por cento do PIB para 2009 continuam a verificar-se".

Por outro lado, o líder da UGT não esquece que se "mantém uma situação em que o desemprego continua a aumentar".

Estranha recuperação para a CGTP
Para a CGTP estranho é que a economia melhore, quando o desemprego está a crescer e as empresas continuam a abrir falência.

Maria do Carmo Tavares, da Comissão Executiva da CGTP, considera que "causa estranheza a melhoria da economia, com o desemprego a crescer de forma substancial quando continuam as falências de empresas e os salários em atrasos".

Numa análise aos resultados apresentados hoje pelo INE, a sindicalista considera ser "contraditório dizer que há melhoria, apesar da subida do PIB no segundo trimestre, embora com dimensão reduzida" quando se verifica "um  aumento muito significativo do desemprego" ao mesmo tempo que considera que Portugal no conjunto da União Europeia "está numa situação mais complexa do ponto de vista estrutural, com problemas que são importantes para a  recuperação" apresentando "debilidades na indústria, agricultura ou pescas".

Nogueira Pinto alerta que crise ainda não passou
Também o economista António Nogueira Leite se mostrou confiante com os dados anunciados hoje sobre a economia portuguesa referindo em declarações à Agência Lusa que são "bons sinais" e revelam que "Portugal está muito mais próximo da Alemanha e da França do que da Espanha ou da Irlanda".

"O crescimento registado deve-se a um conjunto de estímulos lançados nos últimos meses em que se traduziu num aumento real do rendimento disponível dos funcionários públicos e de entidades ligadas ao Estado", refere o economista.

António Nogueira Leite esclarece ainda que os "resultados são bons e já se suspeitava que poderia haver uma recuperação, porque havia vários indicadores nesse sentido", como, por exemplo, "o aumento de tráfego nas auto-estradas" e que "nenhum economista, há três meses, poderia prever que iria haver uma inversão positiva da economia portuguesa".

No entanto, António Nogueira Leite alerta para o facto da crise ainda não ter sido ultrapassada e refere mesmo que estamos "longe disso" e que os dados revelados "em termos conjunturais dão-nos esperança, mas em termos estruturais há ainda muito a resolver".

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