Economia portuguesa revela sinais de melhoria, mas investimento volta a abrandar

Os indicadores de clima económico e de actividade em Portugal retomaram, nos meses de Fevereiro e Março, uma tendência de ligeira aceleração, segundo a síntese de conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, o investimento tornou a abrandar em Fevereiro.

Carlos Santos Neves, RTP /
O BCE assinala, por sua vez, que os países da Zona Euro atravessam uma fase de taxas de inflação “temporariamente elevadas”, devido à subida dos preços de produtos alimentares e energéticos RTP

De acordo com a síntese económica de conjuntura do INE, o indicador de actividade da economia portuguesa cresceu 2,4 por cento em Fevereiro, contra 2,3 por cento no mês anterior. O indicador retoma, assim, a tendência de aceleração que havia sido interrompida em Janeiro.

A síntese de conjuntura revela, ainda, que o indicador de clima económico registou uma subida de 0,9 por cento em Março, mais 0,1 pontos percentuais face a Fevereiro. Esta é a primeira aceleração daquele indicador em quatro meses.

Investimento completa dois meses de abrandamento

Por outro lado, o indicador do investimento em Portugal registou um crescimento de 4,1 por cento em Fevereiro, depois de ter progredido 5,8 por cento no primeiro mês do ano.

Em Dezembro de 2007, o indicador de investimento revelara um crescimento de 10,8 por cento. Segundo o INE, o comportamento deste indicador nos dois primeiros meses do ano sinaliza “um abrandamento significativo”.

O INE explica que a desaceleração do indicador de investimento em Fevereiro ficou sobretudo a dever-se ao segmento do material de transporte.

Na síntese económica de conjuntura, o Instituto Nacional de Estatística destaca também a degradação do quadro internacional. Neste plano, sublinha o INE, os indicadores de sentimento económico e de confiança dos consumidores na Zona Euro mantêm a tendência descendente encetada em Agosto.

Pressões inflacionistas na Zona Euro mantêm-se elevadas

No dia em que o INE publicou a sua síntese de conjuntura, o Banco Central Europeu (BCE) voltou a assinalar que as pressões inflacionistas na Zona Euro permanecem em alta, numa indicação de que não deverá baixar as taxas de juro num horizonte próximo.

“A informação mais recente confirmou a existência de forte pressão ascendente de curto prazo sobre a inflação”, sublinha o BCE no editorial do seu boletim mensal, publicado esta quinta-feira.

O BCE afirma que os países da Zona Euro estão a atravessar uma fase prolongada de taxas de inflação “temporariamente elevadas”, devido à subida dos preços dos produtos alimentares e energéticos.

O Banco Central Europeu frisa que a sua prioridade máxima é “ancorar com firmeza as expectativas de inflação a médio e a mais longo prazo”, “não havendo portanto qualquer margem para complacência nesta matéria”.

Ao contrário da Reserva Federal dos Estados Unidos, que tem vindo a atacar o preço do dinheiro, na esteira do abalo provocado pelo sector do crédito hipotecário de alto risco, o BCE tem optado por manter inalteradas as suas taxas de juro de referência.

Recorde-se que a taxa de inflação na Zona Euro ascendeu, em Março, a 3,6 por cento, o valor mais alto dos últimos 16 anos.
PUB