EDP propõe aumento salarial de 0,3% e trabalhadores contrapõem 5,3%

Lisboa, 17 jan (Lusa) - A EDP colocou em cima da mesa das negociações salariais para 2013 um aumento de 0,3% para 5.500 trabalhadores, enquanto os sindicatos fizeram uma proposta de reforço salarial de 5,3%, disse Franco Antunes, dirigente sindical da Fiequimetal.

Lusa /

Os trabalhadores da EDP e da REN, que iniciaram na quarta-feira as negociações salariais para 2013, consideram que a sua proposta está de acordo com o desempenho das empresas apesar da crise no país, e após quatro horas de reunião, o resultado foi inclusivo, ficando marcada nova ronda para 23 de janeiro.

Segundo Franco Antunes, a EDP argumentou que a sua proposta tem em conta "o clima económico do país e os constrangimentos próprios da empresa, nomeadamente as dificuldades de financiamento", mas o sindicato "tem uma leitura oposta".

"É verdade que o país está num clima económico difícil, mas há quem engorde à custa da crise", afirmou o sindicalista, acrescentando que "a EDP vai terminar o ano de 2012 com lucros acima dos mil milhões de euros, portanto não pode argumentar que está numa situação difícil".

Quanto às dificuldades de financiamento, Franco Antunes referiu que a empresa "enfatizou, na altura da privatização, que um dos benefícios seria as grandes linhas de crédito abertas pelos chineses [China Three Gorges] em condições favoráveis".

Em dezembro, o plenário de trabalhadores tinha aprovado uma proposta de atualização da tabela salarial em 5,3%, justificada por não haver crise nas elétricas e de haver um "ataque aos trabalhadores que visa apenas beneficiar os acionistas e os administradores".

O dirigente sindical mostrou também o seu desagrado pela REN não estar a participar nas reuniões de revisão salarial, argumentando que a empresa deveria estar presente porque as negociações a decorrer "ainda estão no âmbito do atual Acordo Coletivo de Trabalho que é comum às duas empresas e o que configura uma ilegalidade".

As negociações salariais que decorrem abrangem cerca de 6.300 trabalhadores, dos quais 5.500 da EDP e 700 da REN.

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