EDP Renováveis poderá atingir uma capacidade instalada entre 10,6 e 11,9 gigawatts (GW) em 2012

Lisboa, 06 Mai (Lusa) - A EDP Renováveis poderá atingir uma capacidade instalada em energias renováveis entre 10,6 e 11,9 gigawatts (GW) em 2012, acima do objectivo da empresa de 10,5 GW, refere o relatório elaborado pelo departamento de "research" do BCP Investimento.

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Perante estas previsões, o banco que integra o consórcio de assessores financeiros que estão a preparar oferta pública inicial (IPO) da EDP Renováveis prevê um crescimento "significativo" do resultado bruto operacional (EBITDA) que deverá situar-se entre 1,4 e 1,5 mil milhões de euros em 2012, refere o relatório confidencial a que a Lusa teve acesso.

Uma das compras mais elogiadas pelo BCP Investimento foi a da empresa norte-americana Horizon Wind Energy por 2,7 mil milhões de dólares.

O BCP refere que o facto de a Horizon estar presente em vários Estados norte-americanos é "bastante positivo" por reduzir o risco regulatório e considera o mercado como um dos mais promissores em termos de taxas de crescimento das energias renováveis.

Também a compra da empresa polaca Relax Wind Parks é considerada "um excelente negócio" pelo BCP Investimento, afirmando serem "fortes" as possibilidades da EDP Renováveis concretizar o "pipeline" de 1.022 megawatts (MW).

Refere ainda que o mercado polaco é "muito interessante para entrar", oferecendo atractividade em termos de remuneração e expansão da capacidade instalada.

O banco afirma também que esta aquisição deverá ser "o primeiro passo" para a EDP entrar no Leste Europeu.

No Brasil, o BCP refere a criação por parte da Energias do Brasil de uma nova subsidiária - a Enernova - para explorar o negócio das energias renováveis na América do Sul, em particular no Brasil, na Argentina e no Chile.

O relatório destinado aos investidores destaca o facto do potencial brasileiro em termos de energia eólica ultrapassar os 140 gigawatts (GW), o que compara com estimativas de 20 GW feitas há apenas alguns anos.

O BCP refere que este potencial não deve ser descurado e que, apesar do governo brasileiro não estar ainda muito focado na energia eólica, a EDP Renováveis dado o "know-how" que possui e a presença que tem no país, está numa "posição privilegiada" para o desenvolvimento da eólica no Brasil.

Em Portugal, o BCP Investimento chama a atenção para uma alteração na remuneração da energia eólica, considerando que a remuneração deve ser revista para incentivar os investidores no sentido de manter o ritmo de crescimento.

A remuneração dos parques eólicos licenciados até 15 de Fevereiro de 2006 oscila entre 85 e 95 euros por megawatt/hora (MWh), ajustada à taxa de inflação, durante 15 anos, até 2020.

A maior parte dos activos da EDP Renováveis está coberta por esta remuneração mais favorável, mas os 1.200 MW que a EDP ganhou no concurso lançado pelo Governo, integrada no consórcio Eólicas de Portugal, terão um desconto de 5 por cento na tarifa de referência.

Os parques licenciados depois de 15 de Fevereiro de 2006 terão uma tarifa de 73,7 euros por MWh no primeiro ano de operação, actualizados à taxa de inflação até aos primeiros 33 GWh durante um período que não pode exceder os 15 anos.

Depois deste período, os preços vão coincidir com os formados na bolsa de energia.

Quanto a Espanha, o banco refere que se trata de um país onde o riscos são maiores, nomeadamente em termos de remuneração, considerando que o pipeline da EDP Renováveis de 3,7 GW em 2016 é "excessivamente optimista".

ACF


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