Em Biombo o turista já pode assistir às cerimónias sagradas da etnia Papel
Bissau, 09 set (Lusa) -- Na região de Biombo, norte da Guiné-Bissau, a partir de agora o turista pode passear no campo, andar de caiaque e assistir às cerimónias ancestrais sagradas da etnia Papel, desde que respeite o simbolismo das coisas da população.
A iniciativa ocorre no âmbito do projeto Turismo Socialmente Responsável (TSR), desenvolvido pela organização não governamental guineense Artissal, em parceria com o Instituto Marquês do Valle Flor, com os apoios financeiros da União Europeia e do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).
A ideia, segundo Mariana Ferreira, da Artissal, é levar o turista a visitar a região de Biombo, conhecer os costumes ancestrais, adquirir os produtos confecionados na região, e ainda desfrutar da natureza daquela zona, sem no entanto, ofender os costumes e os valores do povo Papel.
Nos pacotes que os promotores do TSR estão a anunciar, o turista pode assistir à cerimónia do noivado ou do casamento, à luta das badjudas (raparigas), pode testemunhar uma dança Papel e até pode acompanhar uma cerimónia de `Yanda Cabaz`, que consiste numa caminhada longa para entregar oferendas aos `irãs` (divindades animistas) em vários locais das diferentes aldeias.
O `toca-choro` Papel, cerimónia de evocação ao espírito do defunto, ritual mais importante na etnia Papel,é outro acontecimento que o turista poderá assistir caso queira aceder às ofertas da iniciativa do TSR.
O turista pode também verificar os tecelões no labor de criar `Panos di Pinti`, panos teados pelos homens em teares tradicionais, pode visitar uma bolanha, campo de cultivo do arroz, ou deslocar-se a uma ponta, propriedade agrícola onde se produz fruta e legumes, ou ainda assistir às cerimonias do `fanado`, iniciação dos jovens à vida adulta, ver a dança do `Djongago`, cerimónia que os Papeis fazem logo a seguir ao falecimento de uma pessoa, com a qual `perguntam` ao além as causas da morte do falecido.
Entre os animistas guineenses, ninguém morre de morte natural, ou seja, todas as mortes têm alguma causa.
Num folheto distribuído aos visitantes da Casa da Juventude em Quinhamel, sede do projeto TSR, pode-se ler que o turista poderá entrar num passeio de duas horas, a partir da vila de Safim, no qual pode "visitar uma exposição de produtos tradicionais", andar de canoa no rio Bissalanca, conhecer a ilha de Otatá, ver pelicanos nos seus ninhos e ainda assistir aos desfiles dos golfinhos à procura de alimento.
O embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Ricoca Freire, foi um dos convidados de honra no ato de lançamento do projeto Turismo Socialmente Responsável.
MB.
Lusa/Fim