Embaixada portuguesa avaliará suspensão da privatização de auto-estradas
A Embaixada de Portugal em Brasília anunciou quinta-feira que está a avaliar as eventuais consequências das decisões anunciadas sobre concessões rodoviárias para os planos de operação das empresas com capital português que actuam no sector.
"No passado, e em todos os casos, o trabalho dos operadores económico s portugueses que actuam neste domínio foi sempre reconhecido como de grande qua lidade e rigor técnico", salientou o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, em comunicado.
"Esperamos, assim, que novas oportunidades venham a surgir para que as empresas portuguesas possam manter e reforçar a sua actuação neste mercado e par ticipar em futuros projectos e concursos, contribuindo com a sua reconhecida exp eriência internacional para a melhoria das infra-estruturas rodoviárias brasilei ras", salientou.
Quarta-feira, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou a susp ensão da realização de concursos públicos, que inicialmente decorreriam este mês , para a privatização de 2.600 quilómetros de auto-estradas.
Após o anúncio da suspensão, as acções de empresas concessionárias bras ileiras, nomeadamente as participadas por empresas portuguesas, registaram forte s descidas.
As acções da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), participada da portuguesa Brisa, fecharam a sessão quarta-feira a registar uma descida de 7,2 p or cento, negociadas a 25,50 reais (9,17 euros).
Já as acções da concessionária OHL, participada do Banco Privado Portug uês (BPP) registaram uma descida ainda maior, de 12,33 por cento para 28,49 reai s (10,25 euros).
Na sessão de quinta-feira, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as cotações das acções das duas concessionárias não registraram fortes oscilaçõe s. As auto-estradas que já não serão objecto de concurso público estão loc alizadas nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.
Essas auto-estradas são consideradas pelos especialistas do sector como as mais rentáveis do Brasil para os investidores privados por causa do seu gran de tráfego.
A CCR, participada em 17,9 por cento pela portuguesa Brisa, já havia ma nifestado o seu interesse em disputar os concursos públicos para administrar pel o menos duas auto-estradas.
Actualmente, o Brasil tem 36 concessionárias privadas que administram c erca de 9,7 mil quilómetros de auto-estradas em todas as regiões.
Criada em 1998, a CCR é uma holding líder na administração de auto-estr adas na América Latina, com cerca de 1.445 quilómetros, num total de seis conces sionárias no Brasil.
A CCR tem 28,9 por cento de seu capital no mercado bolsista e o control o é dividido entre os grupos brasileiros Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Ser veng-Civilsan e a Brisa.
A OHL Brasil é a terceira maior administradora de auto-estradas no Bras il, sendo participada em cinco por cento pelo fundo de investimentos Kendall, cr iado em 2004 pelo BPP no Brasil.
O fundo adquiriu uma participação de cinco por cento na OHL Brasil, num investimento de 21 milhões de euros, na sequência de uma OPA realizada pela con cessionária no mercado brasileiro.