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Emirados Árabes Unidos querem ficar com mina de titânio em Moçambique

Emirados Árabes Unidos querem ficar com mina de titânio em Moçambique

Investidores dos Emirados Árabes Unidos querem ficar com uma das maiores minas de titânio do mundo, em Moçambique, após apresentarem uma proposta para comprar a Kenmare Resources plc, proprietária da concessão de Moma, anunciou hoje a empresa irlandesa.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Em comunicado aos mercados, a Kenmare Resources plc, que explora a mina de areias pesadas de Moma, na província moçambicana de Nampula, confirmou ter recebido uma proposta não vinculativa da International Resources Holdings RSC Ltd (IRH), dos Emirados Árabes Unidos, para aquisição da totalidade do capital da empresa.

"O conselho de administração da Kenmare Resources plc confirma que recebeu uma proposta não vinculativa da International Resources Holdings RSC Ltd relativamente a uma possível oferta em dinheiro para a totalidade do capital emitido e a emitir da Kenmare", refere-se na comunicação.

Na mesma nota acrescenta-se que as conversações continuam, ressalvando que "não existe qualquer certeza de que uma oferta firme venha a ser apresentada, nem sobre os termos de qualquer oferta, caso esta venha a concretizar-se".

Nos termos da regulamentação irlandesa sobre ofertas públicas de aquisição, a potencial compradora terá até 17 de novembro para anunciar uma intenção firme de avançar ou desistir da operação.

A eventual aquisição envolve um dos mais importantes ativos mineiros de Moçambique e, segundo informação anteriormente apresentada aos investidores, a mina de Moma assegura cerca de 6% da oferta mundial de titânio e dispõe de reservas com uma vida útil estimada superior a 100 anos.

Em maio, a Kenmare revelou estar a manter negociações "construtivas" com o Estado moçambicano para renovar o Acordo de Implementação que regula as condições fiscais e operacionais da concessão, admitindo, contudo, recorrer à arbitragem internacional caso não seja alcançado um entendimento.

Numa apresentação a investidores, a empresa recordou que o acordo expirou em dezembro de 2024, embora continue a operar "sob os termos anteriores", mediante autorização do Governo moçambicano.

"Refletindo o desejo do Governo de aumentar as receitas provenientes de Moma, a Kenmare apresentou várias propostas com termos melhorados", indicou então a mineradora, acrescentando que o diretor executivo, Tom Hickey, reuniu-se por duas vezes em 2025 com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.

Segundo a empresa, o chefe de Estado "enfatizou a importância de Moma para Moçambique" e manifestou a intenção do Governo de renovar o acordo, apesar de não ter sido definido um calendário para a conclusão do processo.

A Kenmare sustenta ainda que uma eventual disputa sobre a renovação do acordo não afeta a atividade operacional da mina, incidindo essencialmente sobre questões fiscais, pagamento de royalties e condições associadas ao regime de zona franca industrial. A empresa, cotada em Londres e Dublin, reforça que "discussões construtivas entre as partes estão em curso" e que permanece focada em alcançar um acordo.

Daniel Chapo afirmou, em março, que até então nenhuma das partes tinha interrompido as negociações nem decidido avançar para a "via arbitral", reiterando que "o Governo continua a conversar", seja com a Kenmare ou com a Mozal, a maior fundição de alumínio em África, instalada em Maputo.

"Achamos que dentro destas negociações que estamos a levar a cabo é possível encontrar soluções. De certeza absoluta, porque é a falar que a gente se entende", afirmou então o chefe de Estado.

A Kenmare afirma já ter investido 875 milhões de dólares (754,8 milhões de euros) na mina de Moma.

A produção, em termos de concentrado pesado HMC, caiu 15% em 2025, para 1.233.300 toneladas, enquanto as exportações recuaram 13%, para 947.900 toneladas.

Face à indefinição atual, a Kenmare já registou imparidades de 301,3 milhões de dólares (260 milhões de euros) nas contas, mas prevê para este ano exportações totais de 1,1 milhão de toneladas de minério.

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