Empresa espanhola que recicla roupa pretende alargar actividade em Portugal

Porto, 13 Mai (Lusa) - A empresa espanhola Texlimca, responsável pela recolha e reciclagem de roupa e sapatos usados em Gaia, pretende expandir a sua actividade a outros concelhos do país, anunciou hoje o seu director.

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"Temos a intenção de chegar a acordo com grandes cidades, como o Porto, Matosinhos e Maia", afirmou o director da empresa, Pedro Oliver, que esta manhã assinou um protocolo de colaboração com a Câmara de Gaia.

No âmbito do protocolo, a empresa vai instalar 60 contentores no concelho para recolha da roupa (limpa) e calçado usados, que serão posteriormente reciclados e/ou reutilizados.

Segundo Pedro Oliver, é desejo da empresa colaborar com outros municípios portugueses para que, no futuro, haja a percepção de que é "imprescindível recuperar e reciclar têxteis".

A empresa espanhola, que em Portugal adopta o nome de Wippytex, recolhe cerca de duas mil toneladas de roupa e calçado usados por ano, sendo que aproveita "mais de 90 por cento" do material depositado nos contentores de ferro, cuja abertura é de difícil acesso para evitar roubos ou actos de vandalismo, disse Pedro Oliver.

Quando o material dá entrada na empresa, todo ele é classificado, sendo que aquelas peças de roupa que já não servem para reutilizar ou reaproveitar são encaminhadas para a reciclagem.

"A empresa vende roupa que se encontra ainda em bom estado para outros países do mundo, mas também a reaproveita, como gangas, que dão sempre para vender para a confecção de outros artigos", explicou o responsável.

Outras peças têm apenas um fim: a reciclagem, designadamente trapos de limpeza.

Pedro Oliver lamentou que ainda não exista um Sistema Integrado de Gestão de resíduos têxteis, à semelhança do que existe para outros produtos como o vidro, o plástico e o cartão.

Pedro Oliver afirmou aos jornalistas que, em Espanha, onde foi criada há cerca de 60 anos, a empresa tem "mais de 400 contentores de recolha de roupa e calçado usados na rua, espalhados por mais de 60 cidades".

Com a assinatura deste protocolo, a Câmara de Gaia pretende minimizar a quantidade destes resíduos enviados para o aterro.

O vereador do Ambiente da Câmara, Mário Fontemanha, afirmou que este protocolo visa promover a sustentabilidade do concelho.

Com este serviço de recolha selectiva de têxteis, a Câmara pode "poupar recursos e sensibilizar a população para a importância de reutilizar e/ou reciclar os seus resíduos através da entrega dos mesmos a operadores que os encaminham para um destino final adequado, transformando-os em matéria-prima para a produção de novos produtos".

Cada cidadão deposita em média cerca de oito a 10 quilos de resíduos têxteis e calçado por ano, diz a Câmara, e a recolha e reciclagem destes materiais "promove ainda o desenvolvimento de outros mercados, promovendo indústrias que passam a utilizar resíduos recicláveis como matérias-primas para produzir novos produtos".

Este protocolo não acarreta quaisquer custos ou encargos financeiros para a autarquia, em contrapartida, arrancar com a actividade em Gaia já representou para a empresa um investimento de "150 mil euros", referiu Pedro Oliver.

Os contentores serão esvaziados duas vezes por semana.

O vereador aproveitou a ocasião para anunciar que pretende dar início em Setembro à recolha selectiva de óleos usados.

JAP.


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