Empresário indiano debaixo de fogo após substituir humanos por inteligência artificial

Um diretor executivo indiano está a ser fortemente criticado depois de ter afirmado que tinha substituído 90 por cento do seu pessoal por um chatbot de inteligência artificial (IA).

Cristina Sambado - RTP /
Reuters

Suumit Shah, fundador da Dukaan, afirmou no Twitter que o chatbot tinha melhorado drasticamente o tempo de resposta e de resolução das questões dos clientes.


O tweet, que provou indignação na rede social, surge numa altura em que muito se tem falado e sobre a possibilidade da IA substituir as pessoas, especialmente no setor dos serviços.

Na série de tweets, que têm mais de um milhão de visualizações, Shah explicou o motivo pelo qual a sua empresa optou pelo uso de um chatbot. Frisando que despedir os funcionários foi uma decisão “difícil”, mas “necessária”.


“Dado o estado da economia, as start-ups estão a dar prioridade à rentabilidade em vez de se esforçarem por se tornarem unicórnios e nós também”, escreveu o empresário. Shah acrescentou que o apoio ao cliente tem sido uma dificuldade para a empresa há muito tempo e que estava a tentar resolver o problema.

O diretor executivo explicou como foi construído o bot e a plataforma de inteligência artificial em um curto espaço de tempo para que os clientes da Dukann pudessem ter o seu próprio assistente de IA. Segundo Shah o bot estava a responder a todos os tipos de consultas com velocidade e precisão.

“Na era da gratificação instantânea, lançar um negócio já não é um sonho distante. Com a ideia e a equipa certa, qualquer pessoa pode transformar os seus sonhos empresariais em realidade”, escreveu.


Shah revelou ainda que a sua empresa estava a contratar para várias funções.

No entanto, muito utilizadores criticaram os tweets e acusaram-no de perturbar a vida dos funcionários da empresa com esta decisão “sem coração”.

"Como era de esperar, não encontrei qualquer referência aos 90 por cento do pessoal que foi despedido. Que assistência lhes foi prestada?", perguntou um utilizador.

"Talvez tenha sido a decisão certa para a empresa, mas não se devia ter transformado num tópico de celebração/marketing sobre isso", escreveu outro.

Shah respondeu a um dos tweets afirmando que “como era de esperar, alguém fica ofendido em nome de outra pessoa”, acrescentando que iria publicar sobre a assistência ao seu pessoal no LinkedIn, porque no Twitter as pessoas estão à procura de "rentabilidade e não de simpatia".

Nos últimos anos, as ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT, proliferaram e tornaram-se mais acessíveis.
Há relatos de organizações que utilizam estas ferramentas para aumentar a produtividade e reduzir os custos. Um facto que fez os trabalhadores recear perder os seus empregos para a tecnologia.

Em março, a Goldman Sachs publicou um relatório que mostrava que a IA poderia substituir o equivalente a 300 milhões de empregos a tempo inteiro. Na Índia, várias empresas estão a investir na IA para desenvolver produtos, o que suscitou preocupações quanto à perda de postos de trabalho.
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