Empresários não investem e deixam Moçambique com receio de raptos

O vice-presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Prakash Prehlad, afirmou hoje que a onda de raptos que volta a assolar a capital moçambicana está a condicionar investimentos e a levar à saída de empresários.

Lusa /

"Não há dúvidas que o ambiente dos raptos nos apoquenta, é algo que está a retrair investimentos, porque o investidor quer um clima propício para o investimento", disse Prakash Prehlad, em declarações à Lusa à margem de um evento oficial em Pemba, Cabo Delgado, norte de Moçambique.

Embora sem avançar números, admitiu que o receio está a levar empresários a sair do país, colocando em causa a economia.

"Temos vários empresários fora do país que estão à espera de dias melhores", acrescentou.

Para Prehlad, as autoridades policiais devem redefinir estratégias para travar esta onda de raptos: "Temos que reverter esta situação. Reverter esta situação significa que a nossa polícia, e a ao nível do Ministério do Interior, deve reposicionar-se, que tragam técnicas para que de uma vez por todas essa página seja virada".

Maputo vive há algumas semanas uma nova onda de raptos, sobretudo de empresários, com registo de dois luso-moçambicanos visados no último mês e suspeitas de envolvimento de agentes ligados à investigação policial neste tipo de crime.

O Presidente de Moçambique reconheceu na quarta-feira a necessidade de reforçar a competência da polícia moçambicana e que os cidadãos devem poder exercer a sua atividade em "total segurança", sem recear raptos ou sequestros.

"Queremos que o cidadão possa exercer as suas atividades produtivas em total ambiente de segurança e que os investidores se sintam seguros para libertar a sua iniciativa empreendedora sem temer o risco de assaltos, raptos, sequestros ou perda das suas propriedades", afirmou Filipe Nyusi, após presidir à abertura do conselho coordenador do Ministério do Interior, em Maputo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português confirmou à Lusa que o Consulado-Geral de Maputo está a acompanhar a tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano, ocorrido na segunda-feira, o segundo caso num mês.

"O Consulado-Geral em Maputo acompanha a situação da tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano. As autoridades moçambicanas tomaram conta da ocorrência", refere fonte oficial do MNE, em resposta a uma pergunta da Lusa.

Um comerciante luso-moçambicano foi ferido a tiro por desconhecidos que o tentaram raptar na segunda-feira, no centro da cidade de Maputo, crime frustrado graças à intervenção da população.

"Quatro homens munidos com uma pistola e uma arma AKM tentaram raptar um comerciante ao princípio da noite de segunda-feira, na cidade de Maputo, e perante a resistência da vítima e a intervenção de populares, acabou baleado na perna", disse Leonel Muchina, porta-voz da polícia em Maputo.

O rapto foi impedido por populares, que arremessaram pedras contra os autores do crime, tendo estes fugido, acrescentou Muchina.

Num outro caso, um grupo de três homens armados raptou na manhã de dia 01 de novembro uma jovem luso-moçambicana de 26 anos, quando esta saía da sua casa em Maputo, disse à Lusa o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Lionel Muchina.

"A situação está a ser acompanhada através dos postos diplomáticos e consulares em Maputo, que estão em contacto com a família", disse anteriormente fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.

Neste caso, a jovem luso-moçambicana permanece em cativeiro até hoje.

Na semana passada, seis pessoas foram detidas por alegada participação numa tentativa de rapto do empresário moçambicano Juneid Lalgy, no dia 08 de novembro, avançou anteriormente o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

O porta-voz do Sernic na província de Maputo, Henrique Mendes, disse que os seis homens simularam um acidente de viação para abalroar a viatura de Lalgy e tentar raptar o empresário.

No dia 17 deste mês, um empresário moçambicano ligado ao ramo automóvel foi raptado por homens desconhecidos na cidade de Maputo.

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