Empresas alemãs apontam dificuldades para se localizarem em Portugal
Lisboa, 27 Fev (Lusa) - As empresas alemãs em Portugal apontam as "condições e hábitos de pagamento", a "eficiência da administração pública", e o "direito laboral e sindicatos" como os três factores mais problemáticos para se localizarem no nosso país.
De acordo com um estudo realizado no Verão de 2008 pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, os "custos energéticos" e os "apoios financeiros" são os outros factores mais problemáticos à localização em Portugal.
"Fazemos estes inquéritos desde há muitos anos e são exactamente esses os pontos (eficácia da administração pública, códigos laborais e sindicatos) que as empresas mais nos mencionam", disse o director-executivo da CCILA, Hans-Joachim Böhmer, contactado pela Lusa a propósito da visita que o Presidente da República, Cavaco Silva, faz esta semana à Alemanha.
Hans-Joachim Böhmer explicou à Lusa que o grande problema alemão quanto à "eficiência da administração pública" portuguesa prende-se com o factor tempo.
"Sobre a eficiência da adminsitração pública fizemos outros inquéritos mais detalhados e esses indicam que o maior problema [em Portugal] é a demora até que haja uma decisão, até se ter uma licença", explicou o mesmo responsável.
Os diferentes sectores apresentam poucas divergências face a estes indicadores. No entanto, e na indústria, o assunto "direito laboral/sindicatos" é visto de forma mais problemática do que, em média, o das "condições de pagamento e hábitos de pagamento" no comércio.
No sector da prestação de serviços é a "eficiência da administração pública" que surge como tópico mais destacado.
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã é a maior câmara de comércio estrangeira em Portugal, com mais de mil membros.
Hans-Joachim Böhmer explica que as empresas alemãs em Portugal mantêm-se optimistas quanto ao clima de negócios para este ano, e até 2012, se bem que a crise internacional tenha refreado um pouco esse sentimento.
"Temos de partir do pressuposto que a situação não é tão optimista como foi no Verão passado (em que 39 por cento das empresas esperavam melhorias). Mas também estamos convencidos que não há mudanças radicais na situação das empresas", disse.
"Estas mantêm o seu optimismo e vão aproveitar as oportunidades para produzir, exportar e aumentar a produção. Mas não sabemos em detalhe. Mesmo que tivéssemos feito um estudo em Novembro ou Dezembro, agora poderia diferente, porque a estabilidade das opiniões das empresas não é grande nestes tempos", explicou.
Mais de três dezenas de empresários vão acompanhar o Presidente da República na visita de Estado à Alemanha, que tem como grande objectivo transmitir um "sinal de confiança" no futuro.
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