Empresas imobiliárias espanholas "muito interessadas" nos três parques empresarais em desenvolvimento
Porto, 16 Mai (Lusa) - Um grupo de empresários espanhóis do sector imobiliário, que quinta-feira e hoje estão de visita a Gaia, manifestaram-se hoje "muito interessados" nos três parques empresariais em desenvolvimento no concelho.
"Estamos muito interessados nos três projectos de parques empresariais que Gaia tem", afirmou à agência Lusa o presidente do Círculo Imobiliário de Madrid, adiantando ser intenção dos empresários presentes "analisar melhor" a possibilidade de ali vir a investir.
Ángel Moreno Olivares falava à margem de uma cerimónia de apresentação das oportunidades de investimento de Gaia no sector imobiliário, no âmbito de uma visita ao concelho de uma delegação de empresários espanhóis membros do Círculo Imobiliário de Madrid.
De acordo com o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, os empresários mostraram-se bem mais interessados nos projectos ligados aos parques empresariais em desenvolvimento em S. Félix da Marinha, Perosinho e Sandim, do que no investimento imobiliário de habitação ou de escritórios.
"Vamos, por isso, mostrar-lhes os três parques empresariais, mas também aproveitar para mostrar alguns dos investimentos públicos e privados que estão em curso, nomeadamente no centro histórico, porque ainda admitimos que possamos, independentemente de alguns já estarem a desenvolver-se, encontrar ainda margens de colaboração para a associação de capital espanhol a esses projectos", afirmou.
Segundo salientou, o Círculo Imobiliário de Madrid é "uma organização poderosíssima" de empresários da construção e do imobiliário, sector que, "independentemente da crise conjuntural que se vive em Espanha e toda a Península Ibérica, será ainda, nos próximos anos, um factor essencial e incontornável de relançamento das economias portuguesa e espanhola".
De acordo com Menezes, a visita da comitiva do Círculo Imobiliário de Madrid surge no âmbito da "lógica da Câmara de Gaia de estar presente em várias cidades europeias na promoção de muitos dos investimentos públicos e privados do concelho".
"É uma oportunidade para mostrarmos um número alargado de investimentos que estão na calha em Vila Nova de Gaia e podermos encontrar parcerias que possam fazer com que muitos deles se concretizem mais rapidamente", salientou.
Conforme referiu o autarca, actualmente há já em Gaia "investimentos significativos" de capital espanhol e inglês, quer no sector imobiliário, quer no industrial.
"Mas queremos dar um `upgrade` a essa inércia que foi criada", sustentou, convicto de que Gaia escapará "relativamente incólume" à crise imobiliária ibérica.
"Não estamos muito pessimistas porque temos uma oferta limitada, com carácter muito específico, como o centro histórico ou a costa de mar", disse.
Aliás, recordou, a autarquia gaiense fechou o ano 2007 com um aumento de 35 por cento do IMT (Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis), "quando houve uma lógica completamente diferente um pouco em todo o lado".
Destacando as potencialidades de negócio para as empresas portuguesas decorrentes da criação de um espaço ibérico de 55 milhões de consumidores, o autarca de Gaia destacou, contudo, a necessidade de harmonização fiscal com Espanha.
"A actual situação é insuportável", disse, afirmando que a fiscalidade "é hoje um factor de competitividade fundamental de uma economia", muito valorizado pelos investidores de todo o mundo, e Portugal é muito penalizado pela "elevadíssima" carga fiscal em vigor.
"Não faz sentido termos uma fiscalidade diferente da que tem a Catalunha, a Galiza ou a Andaluzia", concluiu.
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