Empresas portuguesas devem apostar nos mercados de Angola e Brasil
Évora, 22 Fev (Lusa) - As empresas do sector dos mármores devem apostar nos mercados de Angola e Brasil, como forma de aumentar as exportações e debelar a crise que atinge o negócio, segundo o vice-presidente executivo da ASSIMAGRA, Miguel Goulão.
"Angola e Brasil são mercados a explorar. O Brasil todo em si é um recurso geológico, em termos de granito, mas não tem mármore, por isso temos que habituar os brasileiros a utilizá-lo, enquanto em Angola as obras não param", realçou o responsável da Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores (ASSIMAGRA), em declarações à agência Lusa.
"A nossa história tem que servir para alguma coisa", considerou Miguel Goulão, salientando que Portugal é o país que surge "em melhores condições" para negociar com os mercados angolano e brasileiro.
Na opinião do responsável, o governo "tem obrigação, caso queira defender o sector dos mármores, de desenvolver parcerias que possam fomentar o aumento das exportações para aqueles dois mercados" para que as empresas "possam ultrapassar a crise".
O vice-presidente da ASSIMAGRA explicou, ainda, que está a ser feito "um estudo exaustivo relativamente à realidade dos mercados do Brasil e Angola".
"A crise é mundial e não se sabe até quando vai durar", por isso, o sector dos mármores "não pode passar à margem dela", disse.
"O sector dos mármores depende quase exclusivamente da construção civil e da obra pública. Não havendo actividade na construção civil, o sector sente-se", salientou, reconhecendo haver empresas a atravessar "grandes dificuldades".
Ainda segundo a ASSIMAGRA, várias empresas do sector dos mármores, no Alentejo, estão interessadas em constituir um consórcio para criar uma central de compras e vendas, com a intenção de aumentar a competitividade e as exportações.
O projecto, segundo a associação dos industriais, prevê a constituição de um consórcio com possibilidade de avançar com uma candidatura no âmbito do Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos (PROVERE) - Zona dos Mármores.
Segundo a ASSIMAGRA, com uma candidatura ao PROVERE-Zona dos Mármores, este projecto, que pretende a valorização do recurso mármore, pode beneficiar de um tratamento preferencial no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Com a intenção de contribuir para desenvolver a internacionalização do sector, a ASSIMAGRA vai participar este ano em várias feiras, entre as quais a Marmomacc, em Verona, Itália, a maior feira do mundo da área das rochas ornamentais, que decorre de 30 de Setembro a 03 de Outubro.
A ASSIMAGRA vai participar ainda na feira do Dubai, nos Emiratos Árabes Unidos, "uma feira muito interessante para o sector", por ser "a porta de entrada para todo o mercado árabe".
A Associação dos Industrias de Mármores tem ainda previstas, para este ano, missões comerciais à Rússia e a Angola.
O sector dos mármores é a principal actividade económica dos concelhos alentejanos de Vila Viçosa, Borba e Estremoz, com exportações para os quatro cantos do mundo.
De acordo com o vice-presidente executivo da ASSIMAGRA, os mármores portugueses são exportados para todo o mundo, mas a Arábia Saudita é o principal comprador dos mármores em obra, surgindo a Espanha, em segundo lugar, enquanto a China, Arábia Saudita e Espanha são os principais destinos dos mármores em bloco.