Economia
Endesa diz que barragem de Girabolhos foi cancelada em 2016 pelo Governo
Depois de vários partidos terem responsabilizado a Endesa pela decisão de não construção da barragem de Girabolhos, o presidente executivo da empresa esclareceu, esta terça-feira, que em 2016 o Governo português e a Endesa chegaram a um acordo para a suspensão da barragem.
Por causa das cheias do Mondego das últimas semanas, diversos partidos têm trocado acusações sobre a responsabilidade do cancelamento da barragem de Girabolhos em 2016, agora considerada, por vários especialistas e dirigentes políticos, importante para a gestão de caudais e prevenção de cheias na bacia hidrográfica do Mondego.
Alguns partidos atribuíram à Endesa a decisão de não construção da barragem de Girabolhos.
O CEO da empresa esclareceu esta terça-feira que foi o Governo que cancelou a construção desta barragem, depois de terem chegado a acordo.
"Essa barragem foi cancelada pelo Governo português no ano de 2016, no âmbito de uma revisão que fez do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico" e, "na sequência da revisão desse plano, a Endesa e o Governo português chegaram a um acordo e suspenderam por mútuo acordo" o projeto de Girabolhos, na bacia do Mondego, disse José Bogas, numa conferência de imprensa em Madrid, em resposta a uma pergunta da agência Lusa.
O CEO da energética espanhola revelou que a empresa já tinha investido no projeto de Girabolhos cerca de 90 milhões de euros quando a barragem foi suspensa. "Recuperámos uma parte e outra não", disse, sem revelar mais detalhes. O Governo incumbiu agora a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de lançar o concurso público para a construção e exploração da barragem de Girabolhos até final de março, segundo um comunicado divulgado a 10 de fevereiro.
No rescaldo das tempestades que afetaram particularmente a região centro do país, o Governo defende que a barragem é "um projeto estruturante para a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos, com objetivos de controlo e mitigação de cheias, reforço do abastecimento público de água, produção de energia elétrica de fonte renovável, aumento da resiliência hídrica e valorização territorial do interior".
"Esta decisão assume particular relevância no atual contexto de cheias na bacia do Mondego, que voltaram a evidenciar a necessidade de reforçar a regularização de caudais e a proteção de populações, atividades económicas e infraestruturas", sublinhou.
Citada no comunicado, a ministra do Ambiente e Energia disse que a barragem de Girabolhos visa "reforçar a segurança hídrica do país, proteger as populações do vale do Mondego e aumentar a capacidade nacional de produção de energia renovável". A barragem de Girabolhos abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
Na altura, em 2019, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, disse que não fazia sentido “pensarmos que nos vamos adaptar às alterações climáticas artificializando o leito dos rios” e revelou que preferia proceder a engenharia natural no rio Ceira.
A decisão foi contra a opinião dos engenheiros, que avisavam que ia ser difícil travar futuras cheias no Mondego no futuro.
Alguns partidos atribuíram à Endesa a decisão de não construção da barragem de Girabolhos.
O CEO da empresa esclareceu esta terça-feira que foi o Governo que cancelou a construção desta barragem, depois de terem chegado a acordo.
"Essa barragem foi cancelada pelo Governo português no ano de 2016, no âmbito de uma revisão que fez do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico" e, "na sequência da revisão desse plano, a Endesa e o Governo português chegaram a um acordo e suspenderam por mútuo acordo" o projeto de Girabolhos, na bacia do Mondego, disse José Bogas, numa conferência de imprensa em Madrid, em resposta a uma pergunta da agência Lusa.
O CEO da energética espanhola revelou que a empresa já tinha investido no projeto de Girabolhos cerca de 90 milhões de euros quando a barragem foi suspensa. "Recuperámos uma parte e outra não", disse, sem revelar mais detalhes. O Governo incumbiu agora a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de lançar o concurso público para a construção e exploração da barragem de Girabolhos até final de março, segundo um comunicado divulgado a 10 de fevereiro.
No rescaldo das tempestades que afetaram particularmente a região centro do país, o Governo defende que a barragem é "um projeto estruturante para a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos, com objetivos de controlo e mitigação de cheias, reforço do abastecimento público de água, produção de energia elétrica de fonte renovável, aumento da resiliência hídrica e valorização territorial do interior".
"Esta decisão assume particular relevância no atual contexto de cheias na bacia do Mondego, que voltaram a evidenciar a necessidade de reforçar a regularização de caudais e a proteção de populações, atividades económicas e infraestruturas", sublinhou.
Citada no comunicado, a ministra do Ambiente e Energia disse que a barragem de Girabolhos visa "reforçar a segurança hídrica do país, proteger as populações do vale do Mondego e aumentar a capacidade nacional de produção de energia renovável". A barragem de Girabolhos abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
Era um de dez novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançado pelo Governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa.
Na altura, em 2019, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, disse que não fazia sentido “pensarmos que nos vamos adaptar às alterações climáticas artificializando o leito dos rios” e revelou que preferia proceder a engenharia natural no rio Ceira.
A decisão foi contra a opinião dos engenheiros, que avisavam que ia ser difícil travar futuras cheias no Mondego no futuro.
O CEO da Endesa não descartou a possibilidade de a Endesa se voltar a candidatar à construção da barragem de Girabolhos, depois de analisar as condições do concurso anunciado recentemente pelo atual Governo português.
c/Lusa