Endividamento de particulares sobe para 117%

O Banco de Portugal informou hoje que o endividamento dos particulares subiu em 2004 para o equivalente a 117 por cento do rendimento disponível, mais sete pontos percentuais do que em 2003.

Agência LUSA /

O rendimento disponível é o que fica de posse das famílias após o pagamento dos impostos e é com ele que gastam e poupam.

Este agravamento significa a continuação da tendência que colocara este endividamento no equivalente a 103 por cento do rendimento disponível no final de 2002.

O Banco de Portugal considera que o valor atingido no final de 2004 é "muito elevado em termos internacionais".

Para esta situação terá contribuído a baixa nominal da taxa de juro dos empréstimos a particulares para habitação, de 4,3 por cento em 2003 para 3,8 por cento em 2004, e para consumo e outros fins, que baixou de 7,9 por cento para 7,8 por cento.

A instituição sublinha que os empréstimos de instituições de crédito a particulares mantiveram uma elevada taxa de crescimento ao longo do ano, em torno dos 10 por cento.

Este comportamento deveu-se em particular à dinâmica do segmento de crédito para aquisição de habitação, que a instituição atribui aos níveis historicamente baixos das taxas de juro e à política de diversificação das formas contratuais por parte dos bancos.

O resultado foi a redução dos +spreads+ [margem própria que os bancos incorporam na taxa de juro praticada] e o alargamento dos prazos contratuais, a par de outros mecanismos, que permitiram diferir no tempo a amortização da dívida hipotecária, explica o Banco de Portugal.

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