Enel interessada em centrais de ciclo combinado espera definição do Governo

A Enel revelou que está interessada em concorrer à atribuição de licenças para a construção de centrais de ciclo combinado em Portugal, esperando uma clarificação da forma como estas vão ser concedidas para apresentar a sua proposta.

Agência LUSA /

"Estamos interessados, temos técnicos a trabalhar neste tema e só estamos à espera da publicação do decreto-lei para perceber como - se através de concurso ou não e com que regras - é que o Governo [português] vai proceder", disse á agência Lusa o representante da empresa italiana em Portugal, Patrick Haillot.

A Enel "tem interesse e capacidade de investimento" e não tem qualquer limitação "para avançar sozinha", sublinhou o responsável da maior eléctrica italiana, acrescentando que pode procurar parceiros se considerar essa opção mais ajustada depois de estudar as condições definidas pelo Governo.

O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou recentemente que a atribuição de licenças pode ir até aos oito grupos geradores com uma potência de 400 megawatts cada, o que, a confirmar-se, permitirá satisfazer mais pedidos que os anteriormente decididos pelo ex- ministro Álvaro Barreto, no concurso anulado por este Governo.

"Não podemos é avançar sem que esteja clarificado como vai decorrer o processo", referiu Patrick Haillot, adiantando que espera, pelo que percebeu das intenções do Governo, que até final de Julho esteja publicado o diploma que estabelece a forma e os requisitos para a atribuição das licenças.

A Enel, que em 2005 teve um lucro de 3,895 mil milhões de euros, está a avançar nos investimentos fora de Itália e numa lógica integrada de mercados, seja pela geografia seja por actividades, como frisava o presidente da empresa, Fulvio Conti, na recente apresentação do plano estratégico da empresa para 2006-2010.

Nessa apresentação, a Enel divide a Europa em quatro áreas de actuação, sendo uma delas o mercado ibérico, "e Portugal está no mercado ibérico, embora não tenha sido referido especificamente", salientou nas declarações à agência Lusa o representante da empresa.

A empresa italiana considera que tem uma exigência de crescimento "que não se esgota no Leste", onde concretizou os seus mais recentes negócios - na Bulgária e na Rússia.

A empresa já opera em Espanha, tanto na geração como na distribuição e venda de energia, através da Enel Viesgo, e nas energias renováveis através de uma "joint-venture" com a Union Fenosa.

É através desta empresa conjunta, a EUFER, que está a concorrer em Portugal à produção de energia eólica e anunciou quinta- feira que vai apresentar propostas para as centrais de produção de energia a partir da biomassa.

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