Energia eólica assegura 25,4% do consumo em 2025 mas metas exigem resposta célere
A energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, mas as metas definidas para 2030 exigem maior ambição e aceleração de novos projetos, segundo um estudo hoje divulgado.
O relatório "Parques Eólicos em Portugal", elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), divulgado hoje no Dia Mundial do Vento aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de eletricidade de 53,1 TWh em Portugal continental.
Tendo em conta que o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê uma capacidade geradora de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra (`onshore`) e a concretização de 2 GW de eólica no mar (`offshore`) até 2030, o estudo considera que este conjunto de metas é "muito ambicioso e exigente".
Nesse sentido, defende que a sua concretização depende de uma "estreita colaboração entre os agentes públicos e privados", que permita acelerar o desenvolvimento de novos projetos.
Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que "efetivamente nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica" e que esta fonte "não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030".
"O primeiro [fator], claramente, é a questão do licenciamento e a falta de visibilidade de prazos, dificuldades em algumas áreas de avaliação de impacto ambiental, mas também claramente questões das condições do mercado atual e também de rede", disse.
De acordo com o mesmo estudo, após um período de crescimento, 2025 evidenciou uma "nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal".
Em 2025, encontravam-se mapeados 446,8 megawatts (MW) de potência em fase de construção, dos quais cerca de 80% correspondem a novos projetos, incluindo os parques de Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW.
A maioria destes novos projetos está, contudo, associada a hibridizações, isto é, à combinação de um projeto eólico com outro projeto renovável já existente, como hídrico ou solar, aproveitando pontos de rede já disponíveis.
Os projetos de reequipamento (`repowering`), que consistem na substituição ou modernização de equipamentos existentes por outros mais eficientes, representam 14% da potência em construção, enquanto os restantes 6% dizem respeito a sobreequipamento, ou seja, à instalação de uma potência de geração superior à capacidade de injeção.
Com 6 GW de capacidade instalada acumulada, Portugal mantém-se no `top 10` europeu da capacidade eólica, num ranking liderado pela Alemanha, com 77,7 GW, e por Espanha, com 33,2 GW.
Em termos geográficos, Viseu mantém-se como o distrito com maior potência eólica instalada em território nacional, com 1.231,1 MW ligados à rede, seguido de Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.
Évora continua a ser o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado.
As regiões autónomas concentram um total de 106,4 MW operacionais, repartidos entre 63,8 MW na Madeira e 42,6 MW nos Açores.
Questionada sobre o crescimento futuro em terra, Susana Serôdio defendeu que "o futuro passa pelo reequipamento", mas ressalvou que "existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra".
A responsável acrescentou que a hibridização com solar está a ganhar relevância, devido à queda dos preços nas horas de maior produção fotovoltaica.
"À hora de produção solar, efetivamente, os preços são muito baixos e a rentabilidade dos projetos começa a ser muito pequena. E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto", afirmou.