Eni lança casco de plataforma flutuante para duplicar gás produzido em Moçambique
A petrolífera italiana Eni anunciou hoje o lançamento do casco da plataforma flutuante Coral Norte FLNG, num estaleiro da Coreia do Sul, que permitirá duplicar a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique a partir de 2028.
Em comunicado, a Eni refere que o lançamento do casco, nos estaleiros em Geoje, na presença do ministro dos Recursos Naturais e Energia de Moçambique, Estevão Pale, acontece "em total conformidade com o cronograma do projeto".
"Será a segunda instalação flutuante de GNL de última geração a ser implantada nas águas ultraprofundas da Bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, e colocará em produção o gás da parte norte do reservatório Coral", explica a Eni, operadora nesta área.
Acrescenta que "com base no conhecimento e na experiência adquiridos" desde que o Coral Sul FLNG iniciou a sua produção em 2022, o Coral Norte FLNG "foi concebido para oferecer maior eficiência e desempenho otimizado, reduzindo custos e minimizando os riscos de execução, com o objetivo de se concluir o projeto dentro do prazo, em 2028".
Com uma capacidade de liquefação de 3,6 milhões de toneladas por ano (mtpa), o Coral Norte-FLNG duplicará a produção total de GNL de Moçambique para 7 mtpa, marco que posicionará o país "como o terceiro maior produtor e exportador de GNL em África, reforçando o seu papel como um ator fundamental no mercado energético global".
O diretor-executivo da petrolífera Eni, Claudio Descalzi, garantiu em 02 de outubro, em Maputo, que dentro de três anos arranca a produção de GNL Coral Norte, elevando o país a terceiro maior produtor em África.
"Iniciámos o calendário para 2028. Isto significa que começamos hoje com o FID e, dentro de três anos, vamos iniciar a produção. E isso é um compromisso, não se trata apenas de uma conversa. Não é um sonho, é um compromisso com o senhor Presidente, à frente de toda a gente", afirmou Cláudio Descalzi, durante a assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da segunda plataforma flutuante, Coral Norte, por 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, Eni, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Kogas e XRG assinaram em Maputo, na presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a FID para aquele novo projeto.
O líder da petrolífera italiana, que opera a plataforma flutuante FNLG Coral Norte, tal como a Coral Sul, idêntica, garante que aquela "fará de Moçambique o terceiro maior produtor de GNL em África", depois da Nigéria e da Argélia, duplicando a atual produção do país (apenas Coral Sul).
Segundo Descalzi, Moçambique "está também a posicionar-se na transição energética" global.
"Ao longo deste caminho, qualquer um de nós é um parceiro a longo prazo empenhado no crescimento e na prosperidade do país", garantiu ainda, acrescentando: "Coral Norte é o segundo desenvolvimento de GNL flutuante em grande escala localizado em águas ultraprofundas a nível mundial. Mas sabemos exatamente onde está o primeiro, aqui mesmo em Moçambique: Coral Sul".
Recordou, então, que só a Coral Sul "entregou com sucesso mais de 120 cargas de GNL desde o primeiro gás em 2022".
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo um da TotalEnergies (13 mtpa), em fase de retoma, após a suspensão devido a ataques terroristas na região, e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.