"Enterramento total ou parcial". Adaptação do sistema elétrico às alterações climáticas em estudo

"Enterramento total ou parcial". Adaptação do sistema elétrico às alterações climáticas em estudo

O Ministério do Ambiente e Energia garante que, em 180 dias, "estará feira a análise do custo-benefício das diferentes soluções, uma estimativa dos investimentos necessários e um plano faseado de implementação".

Carlos Santos Neves - RTP /
Carlos Barroso - Lusa

O Governo quer pôr em marcha um estudo "técnico, económico e regulatório" sobre a adaptação do Sistema Elétrico Nacional aos fenómenos associados às alterações climáticas, anunciou esta terça-feira o Ministério do Ambiente e Energia. O enterramento de linhas em zonas consideradas críticas será uma das soluções em análise.

Nos termos de uma nota do gabinete da ministra Maria da Graça Carvalho, citada pela agência Lusa, em seis meses "estará feita a análise do custo-benefício das diferentes soluções, uma estimativa dos investimentos necessários e um plano faseado de implementação".Este trabalho vai ser contratado pela Direção-Geral de Energia e Geologia.


A identificação de áreas críticas com maior exposição a incêndios rurais ou fenómenos meteorológicos extremos e a avaliação comparativa de soluções técnicas serão objetos do estudo.

Em análise vão estar, em concreto, "o reforço estrutural de linhas aéreas; o enterramento total ou parcial; soluções híbridas e tecnologias de reforço de resiliência, avaliando também o custo-benefício de cada solução e impactos na continuidade de serviço e na tarifa".Deverão ainda ser estabelecidos o cálculo dos investimentos e uma proposta de adaptação metodológica de instrumentos de planeamento, a integrar nos próximos ciclos do Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Transporte e do Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Distribuição.

Do estudo terão de resultar um plano faseado de implementação, com indicação de prioridades, a calendarização indicativa e a definição de fontes de financiamento.

A ministra do Ambiente sublinha que o planeamento e a implementação das redes de abastecimento de eletricidade "têm de garantir a segurança, fiabilidade e a qualidade do serviço".

"Estamos obrigados a adaptar o sistema elétrico às exigências do presente e necessidades do futuro para evitar disrupções de serviço e assegurar a segurança no abastecimento", enfatiza.
Grids Package

O Ministério do Ambiente recorda que a Comissão Europeia reforçou o financiamento e a simplificação regulatória para investimentos em infraestruturas ditas inteligentes, por via do Grids Package.

A sequência de depressões meteorológicas das últimas semanas, acentua o Governo, "demonstrou a urgência na reavaliação dos critérios de planeamento, designadamente quanto à robustez estrutural das infraestruturas, à seletividade de enterramento de linhas em áreas críticas e à incorporação de métricas de resiliência nos processos de decisão".

Jornal da Tarde | 17 de fevereiro de 2026

A falta de eletricidade em muitas localidades, mais de 20 dias depois da passagem da depressão Kristin pelo território continental português, continua a multiplicar queixas
. Desde logo face ao agravamento das despesas com combustível destinado a geradores.

Ao início da tarde desta terça-feira, "cerca de nove mil clientes" permaneciam sem energia elétrica, segundo um balanço da E-Redes.

A empresa reitera o alerta para que, em caso de identificação de "infraestruturas elétricas caídas ou danificadas", as pessoas se mantenham afastadas e reportem a situação para o número 800 506 506 ou através do Balcão Digital.

No balanço anterior, pelas 08:00 de segunda-feira, a E-Redes referia que cerca de 11 mil clientes, nas localidades afetadas pela depressão Kirstin, estavam sem abastecimento de energia elétrica.

c/ Lusa

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