Entrada da EDF na bolsa de Paris na 2.ª feira é a maior de sempre
A Electricité de France entra em bolsa segunda-feira, na que é a maior operação de sempre realizada na praça parisiense, após ter atraído cinco milhões de investidores, entre os quais 100 mil trabalhadores da própria empresa.
Esta operação marca a abertura do capital do grupo aos privados e deve render à empresa sete mil milhões de euros.
As acções começarão a ser cotadas na pré-abertura da sessão, às 07:15 horas (06:15 de Lisboa), cuja abertura está prevista para o meio-dia.
A entidade que gere a Bolsa de Paris, o Euronext, já informou que o preço de introdução das acções será o que foi proposto aos investidores institucionais, como bancos, seguradoras e fundos de investimento, o que significa 33 euros.
O preço proposto aos particulares foi de 32 euros.
Esta introdução ocorre quatro meses depois de operação similar protagonizada pela Gaz de France, realizada em Julho, que encerrou o primeiro dia com ganhos de 23 por cento.
No final da operação de subscrição, os particulares compraram 69 por cento dos títulos da EDF disponibilizados e os institucionais os restantes 31 por cento.
A reputação da EDF considerada como a empresa favorita dos franceses e o sucesso das recentes introduções em bolsa feitas pelo Estado (Gaz de France, concessionárias de auto-estradas ASF, APRR e Sanef ou ainda a Snecma, que produz motores, equipamentos e serviços designadamente para a indústria aeroespacial) explicam a adesão dos investidores particulares.
Porém, o endividamento elevado do grupo, o risco de envelhecimento das centrais nucleares e o enquadramento das tarifas de electricidade pelo Estado refrearam os investidores institucionais.
Após esta entrada na bolsa, o governo pode emitir acções suplementares.
O Estado manteve 86,2 por cento do capital, o público 11,7 por cento e os assalariados 2,1 por cento.
O anúncio em 24 de Outubro da privatização parcial da EDF, que emprega 160 mil trabalhadores e produz 25 por cento da electricidade na Europa, suscitou a cólera dos sindicatos e da oposição de Esquerda.
Primeiro produtor mundial de energia nuclear, a EDF é também uma das primeiras empresas públicas francesas, com a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro (SNCF).