Enviada da Austrália para Greater Sunrise em Díli para discussões bilaterais
A enviada da Austrália para o Greater Sunrise, Katrina Cooper, realizou uma visita de trabalho a Timor-Leste para discussões bilaterais sobre o desenvolvimento daquele campo de gás, situado no mar de Timor, informou hoje o Governo timorense.
Numa informação divulgada à imprensa, o executivo timorense salienta que Katrina Cooper esteve reunida com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Agio Pereira, que é também interlocutor nas discussões sobre o Greater Sunrise.
"Os encontros permitiram a troca de pontos de vista sobre o estado das discussões e a cooperação em curso, bem como a reafirmação do compromisso comum com o avanço do projeto, mediante um diálogo construtivo, respeito mútuo e parceria, com vista à maximização dos seus benefícios", pode ler-se na informação.
Segundo o Governo, durante as reuniões foi também "referida a relevância estratégica do projeto" para o desenvolvimento de Timor-Leste, incluindo a importância da implementação da opção de ligação do gasoduto para território timorense.
"A enviada australiana reiterou o compromisso do seu Governo em trabalhar de forma próxima com o Governo de Timor-Leste, os parceiros do consórcio do projeto e outras partes relevantes, de modo a assegurar a continuidade das discussões", disse o executivo.
No âmbito da visita, Katrina Cooper reuniu-se também com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, o chefe da diplomacia, Bendito Freitas, e o ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco Monteiro.
Localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o projeto Greater Sunrise tem estado envolto num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.
O consórcio é constituído pela timorense Timor Gap (56,56%), a operadora Woodside Energy (33,44%) e a Osaca Gás (10%).
O impasse levou a `joint venture` a solicitar um estudo conceptual elaborado pela empresa britânica Wood, que confirmou a viabilidade do desenvolvimento do Greater Sunrise em Timor-Leste.
"A opção Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste (TLNG, sigla em inglês) destaca-se por prever menores custos operacionais e, ao permitir melhores retornos gerais diretos e indiretos para Timor-Leste, criará um grande impacto socioeconómico no país", refere o Governo timorense.
O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, realiza uma visita a Timor-Leste em 28 de janeiro.