Epcol não vê risco iminente de rutura no abastecimento de combustíveis no inverno em Portugal
A associação das empresas petrolíferas (Epcol) não antevê riscos iminentes de rutura no abastecimento de combustíveis em Portugal durante o próximo inverno, apesar da incerteza quanto à evolução dos preços devido à situação geopolítica.
"Não nos parece existir indicações de um risco iminente de rutura de abastecimento de combustíveis em Portugal no inverno 2026/2027", disse à Lusa o porta-voz da Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol).
João Reis considera que Portugal dispõe de condições para garantir a segurança do abastecimento, beneficiando da combinação entre capacidade de refinação nacional, infraestruturas logísticas, importações e reservas estratégicas.
"Portugal beneficia da combinação de capacidade de refinação nacional, infraestruturas logísticas, importações e reservas estratégicas, que nos dão uma confortável segurança", sublinhou.
A associação reconhece, contudo, que o contexto geopolítico continua a gerar incerteza quanto à evolução dos preços dos combustíveis.
Em causa está a instabilidade no Médio Oriente que continua a pressionar os mercados energéticos e a suscitar preocupações com a segurança do abastecimento na Europa.
Em Portugal, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), responsável pela constituição, gestão e manutenção das reservas estratégicas nacionais de petróleo e produtos petrolíferos, apresenta um nível de risco amarelo para o setor petrolífero, devido à instabilidade no Médio Oriente.
Segundo a informação disponibilizada pela entidade, existem indícios de possíveis problemas que podem afetar significativamente o setor, embora a probabilidade de se tornarem uma ameaça real seja baixa, justificando uma monitorização contínua.
Também a Comissão Europeia indicou, em 22 de outubro, que não existia uma situação de escassez física de gasóleo e combustível para aviação na Europa, embora tenha alertado que a oferta destes produtos continua pressionada e que persistem riscos de novas perturbações.
Esta avaliação resultou de uma reunião do grupo de coordenação do petróleo, que juntou representantes da Comissão Europeia, dos Estados-membros e da Agência Internacional de Energia (AIE), entre outras entidades.
Na quarta-feira, após uma reunião com representantes das refinarias europeias, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, voltou a alertar para a situação dos mercados dos combustíveis, defendendo a necessidade de aumentar a produção das refinarias existentes na União Europeia (UE), com o objetivo de contribuir para a redução dos preços.
O comissário salientou que, embora não se antevejam problemas de segurança do abastecimento, os preços elevados dos combustíveis continuam a representar um problema para os cidadãos e as empresas.
A Comissão Europeia pretende, por isso, trabalhar com a indústria para identificar medidas que permitam aumentar a produção a curto prazo, numa altura em que a AIE antecipa que o mercado mundial de gasóleo permaneça pressionado em 2027.
Em Portugal, a atividade de refinação está concentrada na refinaria de Sines, operada pela Galp, depois do encerramento da unidade de Matosinhos, em 2021.
A Epcol considera que existe alguma margem para aumentar a produção em Sines, embora ressalve que essa possibilidade depende da disponibilidade e do tipo de petróleo bruto, da procura dos diferentes combustíveis e das condições económicas de operação.