Erradicação da pobreza depende da responsabilidade social das empresas - GRACE
O presidente da associação empresarial GRACE, João Reis, sustentou, no Porto, que a erradicação da pobreza extrema, a igualdade do género ou a sustentabilidade ambiental dependem do conceito de responsabilidade social das empresas.
O presidente da Grace, (Grupo de reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial), uma associação que agrupa cerca de 30 empresas, maioritariamente multinacionais de diferentes áreas de negócio que comungam o objectivo de disseminação de práticas socialmente responsáveis, falava perante uma plateia de futuros gestores e economistas da Universidade Católica do Porto.
A associação sem fins lucrativos, foi criada em Fevereiro de 2000 por um conjunto de empresas e entidades motivadas pela necessidade de apoiar a gestão empresarial no desenvolvimento de práticas social e ambientalmente responsáveis.
João Reis citou, como exemplo de uma empresa socialmente responsável, o projecto desenvolvido em Timor pela "Delta cafés", referindo-se, em concreto, à melhoria, reabilitação e construção de infra-estruturas escolares nas respectivas regiões produtoras de café.
Esta empresa, segundo João Reis, "tem contribuído de forma directa, para o desenvolvimento integrado da comunidade e a eliminação do trabalho infantil".
Estando integrada numa cultura onde existe "uma vulgar utilização de menores como força de trabalho", a Delta proíbe qualquer forma de trabalho infantil, tendo criado uma escola para ocupação dos tempos livres dos filhos dos colaboradores, disse o responsável.
No âmbito do seu projecto, a empresa de Campo Maior comprometeu-se a investir um euro no seu programa de acção social em Timor por cada quilo de café processado na empresa.
Num seminário destinado a apresentar os "Objectivos de Desenvolvimento do Milénio", aprovados em 2000 pela Nações Unidas para serem atingidos até 2015, João Reis abordou o papel das empresas para ajudar à concretização dessas metas, que abrangem áreas tão diversas como a erradicação da pobreza extrema e da fome, a redução da mortalidade infantil ou a sustentabilidade ambiental.
"Com o alcance das metas estabelecidas pelos Objectivos do Milénio, as empresas terão mão-de-obra mais saudável e produtiva, consumidores com maior poder de compra e investidores mais prósperos", defendeu.
O presidente da Grace considerou que "o papel das empresas fica mais robusto se elas tiverem em consideração os meios onde estão inseridas e as pessoas que fazem parte desse meio".
"Porque é aí que estão também os clientes, os fornecedores e, eventualmente, os accionistas", acrescentou.
João Reis defendeu ainda que os Objectivos do Milénio só serão alcançáveis se forem concretizadas parcerias multi-sectoriais que envolvam o poder público, os governos, organizações internacionais, empresas e outros agentes sociais, nomeadamente as ONG`S.Pertencem à Grace, entre outras, a IBM, DHL Portugal, Fundação PT, Alcatel, BES, BP, FLAD, Euronext, Inapa, MacDonalds, Páginas Amarelas, Prosegur, Unicer, Vodafone e Xerox.