Economia
Erro no Excel põe em causa trabalho académico que sustenta políticas de austeridade
Um dos trabalhos académicos que sustenta as políticas de austeridade, que encontrou um efeito negativo entre endividamento e crescimento económico, está a ser posto em causa depois de terem sido encontrados erros nos cálculos de Excel.
Foto: EPA
Segundo o estudo, elaborado por estes dois académicos da Universidade de Harvard (Estados Unidos), os países com um rácio de dívida pública acima dos 90% do Produto Interno Bruto (PIB) assistem a uma contração média das suas economias de cerca de 0,1% por ano.
Agora, Herndon, Ash e Pollin recriaram os cálculos feitos para 20 economias desenvolvidas no período pós-Segnda Guerra Mundial e, num 'paper' de revisão do trabalho de Reinhart e Rogoff, concluiram que os países com um rácio da dívida pública daquela dimensão tiveram um crescimento do PIB de 2,2%, apenas um ponto percentual abaixo da taxa de crescimento observada em países com menores rácios da dívida.
Segundo os autores, na base dos problemas estiveram os cálculos feitos para o período pós-Guerra: um erro de código que faz com que cinco países tenham sido excluídos das médias entre 1946 e 2009 (Austrália, Bélgica, Áustria, Canadá e Dinamarca), um sistema de ponderação pouco convencional usado nas estatísticas e a exclusão seletiva da Nova Zelândia.