Escalada do petróleo ameaça retoma mundial

O barril do petróleo atinge novo máximo, com o mercado de Londres a abrir a negociação do barril de Brent nos 108,05 dólares. Consequência dos conflitos nos países árabes, a escalada nos combustíveis está agora a ser alimentada pela revolta na Líbia. É preciso recuar a 2008 para encontrar estes valores e, à conta destas revoluções, a gasolina galga recordes em Portugal, que tem na Líbia o segundo fornecedor da matéria negra.

RTP /
A crise no Oriente Médio e Norte da África levou à subida do preço do petróleo bruto em 10 dólares Bagus Indahono, EPA

Com o petróleo da região a atingir preços de há três anos, os combustíveis nos postos portugueses estão a negociar a gasolina a uma média de 1,47 euros. O barril de Brent abriu nos 108,05 dólares, mais 2,31 cêntimos do que no fecho de ontem

A situação mais do que instável na Líbia não é alheia ao comportamento do mercado dos combustíveis, já que este país é o segundo fornecedor de petróleo de Portugal.

Revoltas entravam retoma
A crise no Oriente Médio e Norte da África levou à subida do preço do petróleo bruto em cerca de 10 dólares: "Um aumento de 10 dólares no preço do petróleo não é insignificante, especialmente para as economias mais fracas da Europa, que vivem um difícil momento em termos orçamentais", considera a Capital Economics.O cabaz faz a média dos doze crudes dos países membros da OPEP: Argélia, Angola, Equador, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Arábia Saudita, Estados Unidos e Venezuela

E também o cabaz de doze crudes mundiais que serve de referência à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vai sofrer um salto para os 100,59 dólares por barril, acima dos 99,08 dólares de sexta-feira.

Os mercados mundiais temem que as exportações de petróleo líbio - 1,5 milhões de barris por dia, produção equivalente a 1,7% do total mundial – venham agora a ser afetadas pelas decisões das petrolíferas BP, Statoil, Total e ENI de retirarem o pessoal do país.A Agência Internacional de Energia procura inverter este sentimento e o seu director-geral já garantiu que uma quebra na produção líbia será equilibrada por reservas da OPEP: “Se houver uma interrupção significativa teremos que nos mobilizar. A mensagem para o mercado é: ‘Não entrem em pânico. Há petróleo suficiente’”

A consultora de energia Schork Report alertou durante a manhã desta terça-feira que, "ao contrário do Egito, a Líbia é um importante produtor de petróleo”, vaticinando que “podemos vir a assistir às maiores interrupções desde o início da segunda Guerra do Golfo".

Balança desequilibrada
Na relação com a Líbia, Portugal mantém uma balança comercial desfavorável em que se verificava, em 2010, uma exportação de 21,7 milhões de euros e importação de mais de 500 milhões.O primeiro-ministro José Sócrates visitou quatro vezes a Líbia para tentar equilibrar a balança comercial

Várias são as empresas portuguesas que vivem por estes dias momentos de incerteza, nomeadamente na área da construção civil.

Na alta finança, é o BES, que desde o ano passado controla 40 por cento do banco líbio Aman Bank.
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