Escola José Falcão, em Coimbra, celebra 80 anos à espera de "intervenção urgente"
A Escola Secundária José Falcão, em Coimbra, celebra na próxima semana 80 anos de edificado e 180 como instituição, lutando há cerca de duas décadas por uma "intervenção urgente" na estrutura do edifício que é monumento de interesse público.
A escola, que tem quase 1.000 alunos (3.º ciclo e secundário), luta há cerca de 20 anos por uma "intervenção de fundo" na estrutura, disse à agência Lusa o diretor, Paulo Ferreira.
A Escola Secundária José Falcão ficou de fora do programa para requalificar mais de 200 escolas portuguesas com recurso a fundos comunitários do Portugal 2020, depois de já se ter perspetivado a sua intervenção na 1.ª fase e na 4.ª fase do programa de modernização do Parque Escolar.
O edificado, com 80 anos de existência, "nunca sofreu uma intervenção de fundo", sublinhou, referindo que as obras têm um caráter de urgência.
Grande parte da canalização e instalação elétrica tem o mesmo tempo de vida que o do edificado, há vários sinais de infiltrações e humidade em todo o edifício, chove na câmara escura do laboratório de física e em algumas salas, e, no inverno, há alunos que trazem mantas e professores que dão aulas de casaco devido ao frio que se faz sentir.
"Vamos fazendo alguns remendos", conta à Lusa José Rolim, coordenador do pessoal auxiliar, apontando depois para os vários pontos de infiltração e humidade que se verificam por todo o edifício.
Um dos pontos "críticos", a seu ver, é o estado do pavilhão, onde cai água quando chove e cujo pavimento apresenta fissuras, havendo "dias em que se aleijam aqui dois ou três alunos".
A falta de climatização, realça, leva a que parte das salas da escola sejam "um gelo" no inverno e "insuportavelmente" quentes no verão.
"É um somatório de problemas. Falta climatização e insonorização e uma intervenção estrutural para não haver infiltrações, humidade ou frio", notou o diretor da escola, considerando que as atuais condições acabam por afetar a concentração e atenção dos alunos.
Apesar dos problemas elencados, Paulo Ferreira assegura que o "edifício não oferece perigo".
Nas últimas duas décadas, a escola apenas recebeu obras nos laboratórios de ciências, balneários e refeitório e viu removido o amianto, há cerca de dois anos.
O diretor recordou que a escola tem na sua área de influência alguns dos maiores empregadores da cidade, como o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o Instituto Português de Oncologia e a Universidade.
Para além desse facto, há também um interesse cultural no próprio edifício, que é um exemplo "da arquitetura modernista em Portugal", tendo sido projetada pelo arquiteto Carlos Chambers Ramos, sublinhou.
A Escola José Falcão foi um dos três primeiros liceus do país, criada a 19 de novembro de 1836.