Espanha continua a penalizar contas da Caixa Geral de Depósitos
Lisboa, 31 out (Lusa) - A operação da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Espanha registou perdas de 112,5 milhões de euros, impedindo que a atividade internacional oferecesse um contributo positivo para os resultados do banco público nos primeiros nove meses do ano.
"Os custos associados ao plano de reestruturação em curso em Espanha e o elevado registo de imparidades naquele país traduzem-se num contributo negativo para o resultado da área internacional de cerca de 48,9 milhões de euros", revelou hoje o banco presidido por José de Matos.
Segundo a CGD, "excluindo Espanha, este resultado seria positivo de 61,4 milhões de euros". Já entre janeiro e setembro de 2012 a operação em Espanha tinha registado perdas acima de 60 milhões de euros, ainda assim, muito menores do que as agora verificadas.
É de destacar o "bom desempenho" das operações situadas em África e na Ásia, bem como em França, sublinhou o grupo que está presente em 23 países.
Só as filiais em África (Angola, Moçambique e África do Sul) e na Ásia (Macau e Timor Leste) contribuíram com lucros de 63,5 milhões de euros. Na Ásia, a fatia de leão do contributo veio da atividade da operação da CGD em Macau.
Em termos consolidados, o grupo financeiro registou um prejuízo de 277,8 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais do dobro do que o resultado apurado em igual período de 2012.
Já o contributo da atividade internacional para o ativo líquido ascendeu a 17%, correspondente a 19,4 mil milhões de euros, enquanto o resultado bruto de exploração ascendeu a 42% (179 milhões de euros). Quanto ao produto da atividade, cifrado em 482 milhões de euros, é responsável por 29% do total do grupo financeiro português.
"Representando apenas 17% do ativo líquido consolidado, a atividade internacional contribuiu em setembro para 42% do resultado bruto de exploração e 29% do produto da atividade, o que confirma a importância atual e potencial deste segmento na prossecução dos objetivos de rentabilidade e diversificação do grupo", frisou a CGD, em comunicado.
Em termos de depósitos de clientes, a área internacional ascendeu a 14,4 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, uma subida homóloga de 11%. O Oriente tem um peso de 31%, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) de 22%, idêntico ao de Espanha, França apresenta uma ponderação de 16% e os outros países, onde se inclui o Brasil, de 9%.
"As operações internacionais continuaram a apresentar bons desempenhos em matéria de captação de recursos, traduzidos num crescimento global dos depósitos (em setembro) de 10,8% em termos homólogos", realçou em comunicado a CGD, acrescentando que os contributos da Ásia, África e Espanha se destacaram, neste capítulo.
Ao nível do crédito a clientes, o volume líquido foi de 12,6 mil milhões de euros, menos 4,2% do que nos primeiros nove meses do ano passado.
Espanha pesa 35%, França 27%, os PALOP 16%, o Oriente 12% e os outros países 10%.
"A atividade creditícia em Espanha, e também em França, não permitiram ainda que a carteira global de crédito das operações internacionais aumentasse", revelou a CGD, apontando, em contraciclo, para os "visíveis crescimentos das carteiras de crédito desde o início do ano" das filiais em África, Ásia, Brasil e Timor.
Num encontro com jornalistas em Lisboa, o presidente da CGD, José de Matos, destacou que o maior volume de depósitos do que de crédito no exterior é um bom indicador da robustez da aposta internacional do banco público português.