Espanha pode prolongar vida de outras centrais nucleares após Almaraz - ONG

Espanha pode prolongar vida de outras centrais nucleares após Almaraz - ONG

A organização Ecologistas em Ação recusou hoje a decisão do Governo espanhol de prolongar até 2030 o funcionamento da central nuclear de Almaraz, considerando que pode abrir um precedente para outras, como Ascó 1 e Cofrentes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Esta prorrogação é uma traição e uma fraude contra a cidadania, que suportará custos mais elevados a médio e longo prazo, enquanto se atrasa uma transformação energética que é inevitável", afirmou Javier Andaluz, responsável de Clima e Energia da organização.

Num comunicado, Javier Andaluz adiantou que o Governo de Madrid está a abrir "a porta ao cavalo de Troia nuclear" para "perpetuar um negócio radioativo cada vez mais dependente do dinheiro público para continuar a operar".

A organização ambientalista questiona também o procedimento utilizado para autorizar a prorrogação e afirma que o relatório do Conselho de Segurança Nuclear se limita a analisar a concessão da licença, sem abordar a inspeção e controlo da central ou o cumprimento dos compromissos assumidos em 2020.

Por isso, os ecologistas consideraram que a decisão pode abrir um precedente para que outras centrais, como a Ascó 1 e a Cofrentes, reclamem um tratamento semelhante, alertando que esta situação pode acabar por "bloquear o encerramento nuclear acordado".

O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico renovou até junho de 2030 a licença de operações das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, segundo uma portaria hoje publicada.

A decisão encerra um processo que teve início em outubro de 2025, quando os três proprietários da central - Iberdrola, Endesa e Naturgy - concordaram em pedir formalmente a prorrogação.

O encerramento gradual dos dois reatores, em funcionamento desde o início da década de 1980, estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.

A Ecologistas em Ação realçou que esta decisão terá consequências para o conjunto do parque nuclear e para a gestão de resíduos radioativos, uma questão que, segundo a organização, continua sem resposta.

Nas palavras da ativista antinuclear Paca Blanco, a situação "condena o futuro de todo um território que vai conviver com os resíduos nucleares na central durante décadas".

O Observatório Ibérico de Energia garantiu hoje Associações ambientalistas portuguesas e espanholas vão avançar "o mais breve possível" para tribunal contra o prolongamento até junho de 2030 do funcionamento da central de Almaraz.

Segundo o coordenador do organismo que reúne diversas associações, António Eloy, a ação será intentada em Espanha pela Associação para a Defesa da Natureza e dos Recursos da Extremadura (Adenex).

"O Governo [espanhol], com esta decisão, põe em causa decisões anteriores, [...] pode pôr em causa o programa de fecho de outras centrais, e cria uma perturbação em todo o sistema, porque o sistema precisa de certezas e não de desconfiança", sustentou hoje, à Lusa, António Eloy.

A confirmação do recurso à Justiça surge depois de o movimento Alargar as Nucleares, Não Obrigado - composto por Adenex, Ecologistas em Ação e Greenpeace - ter considerado que o prolongamento até 2030 do funcionamento da central de Almaraz, localizada na bacia do rio Tejo a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, "é ilegal", prometendo lutar pela reversão da prorrogação.

"É uma injustiça e uma ilegalidade, dado que houve um acordo entre as empresas e o Estado para que fechassem Almaraz em 2027. Não é assim, então é uma ilegalidade, produto de um acordo posterior que só beneficia a empresa e a especulação", afirmou, em declarações à Lusa, Óscar Alonso Carvalho, do movimento.

 

 

 

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