Espanhóis descartam "paralisar" ligação por TGV a Portugal
O ministro espanhol do Fomento, José Blanco, garantiu hoje que Madrid “não vai paralisar nem atrasar” a ligação de alta velocidade ferroviária a Portugal, prometendo um “impulso definitivo” a “uma rede vital”. Uma semana depois de o Governo do PSOE ter adiado a abertura de propostas do concurso para um dos troços entre Madrid e Badajoz, Espanha, Portugal e França assinaram um memorando em defesa do TGV.
"Assim o deixou claro o primeiro-ministro espanhol ao primeiro-ministro português e eu próprio ao ministro das Obras Públicas português. E hoje teremos oportunidade de o ratificar numa mesa redonda", reforçou.
A ligação por TGV entre Madrid e Lisboa, prosseguiu José Blanco, integra "uma rede vital para Portugal e Espanha que vai dar muito valor acrescentado, vai gerar movimentos de pessoas e de mercadorias que vão contribuir para o impulso económico dos dois países". Em declarações citadas pela agência Lusa, o governante espanhol diz-se "conhecedor do debate em Portugal". Mas recusa-se a "opinar" sobre uma discussão "de política interna". Ainda assim, considera "que se equivocam os que querem paralisar estas infra-estruturas".
Memorando de entendimento
O ministro espanhol do Fomento, o ministro português das Obras Públicas, António Mendonça, e o secretário de Estado francês dos Transportes, Dominique Bussereau, assinaram esta terça-feira, em Saragoça, um memorando de entendimento a reafirmar o "carácter prioritário" das ligações ferroviárias de alta velocidade entre os três países. O objectivo é "chamar a atenção da União Europeia para importância" do eixo prioritário número três das Redes Transeuropeia de Transportes, que abarca as ligações entre Portugal e Espanha e da Península Ibérica ao território francês.
Promovidas pela Comissão Europeia, as jornadas RTE-T-2010 prolongam-se até quarta-feira e visam, segundo António Mendonça, "fazer um ponto de situação relativamente às Redes Transeuropeias de Transportes.
"A conferência deste ano adquire um interesse particular, na medida em que está em curso uma revisão dos grandes objectivos das Redes Transeuropeias de Transportes e Portugal tem um interesse particular na inserção nestas redes, tendo em conta a sua situação de periferia e a aposta que está a fazer nas ligações ferroviárias e rodoviárias", insistia o governante português na antecâmara do encontro, em declarações à Lusa.
Adiamento "técnico"
Na semana passada, foi conhecida a notícia do adiamento, por tempo indefinido, da abertura das propostas para o concurso de construção de uma plataforma entre a barragem de Alcântara e Garrovilas, num dos troços da ligação de alta velocidade ferroviária entre Madrid e Badajoz. A decisão do adiamento, publicada no Boletim Oficial de Estado, coube ao presidente da Administração de Infra-estruturas Rodoviárias (ADIF), que invocou razões de "interesse geral".
Orçado em 106,2 milhões de euros, o troço em causa cobre apenas 6,3 quilómetros. Mas tem uma execução complexa - três viadutos, um dos quais percorre cerca de um quilómetro sobre o Rio Almonte com um vão central de 384 metros em forma de arco.
Uma fonte do Ministério espanhol do Fomento, citada pela agência Lusa, afirmava, então, que se tratava de um mero adiamento "técnico" de alguns dias, que atingiria diversos concursos em marcha. O calendário, dizia a mesma fonte, "continua a ser para cumprir". Guillermo Fernández Vara, o presidente do Governo da Extremadura, adiantou, na mesma ocasião, ter "o compromisso" do Executivo de Zapatero de que a ligação entre Madrid e Lisboa "não sofreria atrasos".