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Espanhóis do CaixaBank vencem mais um obstáculo para controlar BPI

Espanhóis do CaixaBank vencem mais um obstáculo para controlar BPI

O Conselho de Administração do BPI aprovou o seu relatório, em que se destaca a apreciação da oferta do instituto espanhol CaixaBank como não hostil.

RTP /
Albert Gea, Reuters

Aquele documento destaca, entre os considerandos para essa apreciação favorável que nos termos da oferta não terá lugar para o BPI “a perda da qualidade de sociedade aberta”, pelo que se manterá a negociação das respectivas acções no Euronext.
Apesar de vários "senões", apreciação favorável
O relatório admite que a valorização atribuída ao BPI pela oferta não tem em conta todos os elementos que fariam avaliá-la na sua dimensão plena. E admite também que as sinergias invocadas pelo instituto oferente não se encontram devidamente especificadas.

Mas logo atenua estas prevenções, lembrando que “as acções do sector bancário desvalorizaram-se 34% (Euro Stoxx Banks) desde a conclusão da OPA 2015”, podendo por isso vir a haver “perdas para o sistema bancário que poderão ser significativas, o que, a verificar-se, afectará negativamente o valor do Banco BPI”.

Por isso mesmo, acrescenta, “ao vir eventualmente a controlar um banco com capacidade de obter sinergias no mercado doméstico, o Oferente está a adquirir uma opção que poderá ter um potencial adicional de geração de sinergias no mercado doméstico em Portugal, no caso de o BPI vir a ser interveniente em algum processo de consolidação em Portugal”.

Em jeito de síntese, considera o Conselho de Administração do BPI “que o Oferente é uma instituição financeira de grande credibilidade, com uma gestão de elevada estatura profissional e ética e com um historial de apoio à estratégia do Grupo BPI que deve ser valorizado”.Espanholização do BPI sai barata
Contudo, a decisão não foi unânime. Vencidos votaram os administradores Alfredo Rezende de Almeida, Armando Leite de Pinho, Edgar Alves Ferreira e Mário Leite da Silva, representante de Isabel dos Santos no BPI.

A empresária emitiu uma declaração de voto que, entre outros pontos questiona o que diz respeito à “alteração indirecta do controlo do Banco de Fomento Angola”, referindo também uma “estranhíssima e profundamente desrespeitosa referência à avaliação do BFA a 0 Euros”. No mesmo sentido, intervinha entretanto Fernando Ulrich perante uma plateia convocada pela Associação de Bancos Portugueses.

A declaração questiona também o ponto que se refere à aparente indefinição dos planos estratégicos do CaixaBank para os tradicionais mercados de implantação do BPI, ou as repercussões que a aquisição teria sobre os interesses dos trabalhadores do BPI.

Do ponto de vista dos formalismos exigíveis, a declaração de voto vencido aponta a omissão de matérias que, segundo o Código dos Valores Mobiliários seria obrigatório mencionar.

Na mesma declaração, Mário Leite da Silva lembra que fora reconhecido pelo CaixaBank “que o valor intrínseco das ações do BPI é superior ao que agora vem oferecer”. E já nem põe em causa mais um passo para a concentração da banca portuguesa em mãos espanholas, e sim, modestamente, o facto de não ter sido pago o adicional de preço em teoria necessário a essa desnacionalização, porque o preço efectivamente pago “permitirá ao oferente ganhar o controlo de uma sociedade aberta nacional sem ter pago o correspondente prémio de controlo, quer quando ultrapassou o patamar de um terço dos direitos de voto, quer ao ultrapassar o patamar dos cinquenta por cento dos direitos de voto”.

A declaração conclui-se com o pedido de que a Comissão de Mercado dos Valores Mobiliários nomeie “um auditor independente, a expensas do CaixaBank, para proceder à fixação da contrapartida mínima a oferecer na OPA das ações representativas do capital social do BPI preliminarmente anunciada, por considerar que a contrapartida oferecida não é justa nem equitativa”.
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