Especialista defende que Guiné-Bissau pode lucrar com turismo de observação de aves
A coordenadora do departamento da biodiversidade do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP), Aissa de Barros, disse hoje à Lusa que a Guiné-Bissau "podia ganhar muito dinheiro" se investisse no turismo de observação de aves.
De acordo com a especialista, todos os anos, entre outubro e abril, milhares de aves migram para a Guiné-Bissau, à procura de alimentos, voando de países como Portugal, Espanha, Reino Unido, Finlândia, Rússia ou do Ártico.
A responsável ambiental deu estas indicações à Lusa ao proceder a um primeiro balanço da contagem das aves aquáticas migradoras e residentes, encerrada na Guiné-Bissau, no fim de semana, mas cujos resultados só serão conhecidos depois de uma análise na Europa.
Especialistas ligados ao chamado Mar de Wadden (que banha Alemanha, Holanda e Dinamarca) vão agora analisar os dados recolhidos em 10 dias e fazer uma extrapolação para saber quantas aves aquáticas residentes e migradas existem na Guiné-Bissau.
Aissa de Barros adiantou que o IBAP está também a desenvolver um estudo com o apoio de ornitólogos europeus, entre os quais ligados a duas universidades portuguesas, para determinar os motivos pelos quais as aves migram para a Guiné-Bissau.
Para já, Aissa de Barros afirmou que as aves migram para o território guineense em busca de alimentos.
Só a Mauritânia supera a Guiné-Bissau em termos de oferta de alimentos para aves, num percurso do Atlântico leste, sublinhou a especialista do IBAP.
Aissa de Barros indicou também que as aves que migram a partir da Guiné-Bissau para outras paragens do mundo levam anilhas, para que se saiba a sua origem, embora sejam materiais fornecidos por ornitólogos portugueses.
Por ser um território abundante em moluscos, minhocas e peixe, as aves aquáticas de várias partes do mundo preferem alimentar-se na Guiné-Bissau, facto que Aissa de Barros vê como "um bom motivo" para impulsionar o turismo de observação.