Especialistas em Investimento Social propõe mecanismos financeiros inovadores para o 3.º setor
Lisboa, 25 jun (Lusa) -- O Grupo de Trabalho (GT) Português para o Investimento Social propõe a introdução de mecanismos financeiros inovadores adequados às necessidades das entidades da economia social para conseguirem ultrapassar as limitações que enfrentam no acesso ao financiamento.
Esta proposta faz parte de um grupo de cinco recomendações para o crescimento do mercado de investimento social em Portugal que integram o relatório final do Grupo de Trabalho que é apresentado na sexta-feira, no Fórum Mundial de Inovação Social, que começou hoje em Lisboa.
Nos últimos anos, o setor da Economia Social tem sido revitalizado pelo aparecimento de novas iniciativas destinadas a combater "alguns dos problemas mais desafiantes para o país", como o desemprego jovem, o insucesso escolar ou a institucionalização de crianças e jovens em risco.
No entanto, "o futuro do setor depende da sua capacidade de satisfazer as necessidades líquidas anuais de financiamento que enfrenta e que, em 2010, estavam na ordem dos 750 milhões de euros", refere o relatório, a que a agência Lusa teve acesso.
Em Portugal, estas entidades têm sido tradicionalmente financiadas por donativos e por financiamento público através do qual prestam serviços sociais.
Contudo, "têm um acesso muito limitado a financiamento sob a forma de crédito ou `equity` [capital investido numa entidade em troca da participação na organização]", salienta o grupo de trabalho independente criado em julho de 2014 com o objetivo de promover o desenvolvimento do setor de investimento social em Portugal.
"Instrumentos de crédito existem, mas na maioria dos casos só são disponibilizados mediante a apresentação de garantias, o que representa uma barreira para a maior parte das entidades", sustenta.
Para ultrapassar estas barreiras, o GT defende a introdução de mecanismos financeiros inovadores para o setor que "considerem as necessidades tanto das entidades que recebem investimento como dos investidores sociais" e reconheçam que estas entidades têm "modelos de negócio viáveis que podem ser escalados e que podem oferecer simultaneamente retorno social e financeiro".
Recomenda também o fortalecimento das competências destas organizações, através de programas de capacitação que as tornem "organizações mais robustas, eficazes e maximizem o impacto que geram", e a promoção de "uma cultura de orientação para os resultados no seio dos serviços sociais públicos".
Segundo dados oficiais, o financiamento público representa aproximadamente 40% das receitas das entidades da economia social em Portugal.
Para o GT, o Estado, em vez de pagar por atividades ou serviços, "pode orientar-se para o pagamento por resultados".
O Estado em vez de pagar pelo número de crianças que têm acesso a serviços de apoio a famílias de jovens em risco, pode pagar pelo número de crianças que se previne que sejam institucionalizadas e sejam mantidas em segurança no seu ambiente familiar, exemplifica.
No entanto, reconhece que o pagamento por resultados pode não ser o mais indicado em todos os casos.
Criar um centro de conhecimento e recursos para o investimento social e desenvolver um "ecossistema de intermediários de investimento social" são as restantes propostas do GT.
Em Portugal, existem mais de 55.000 entidades, que representam 2,8% do Valor Acrescentado Bruto e 5,5% do emprego remunerado.