Estado de Cabo Verde passa a assumir controlo da Electra
O Estado de Cabo Verde passou a ser o accionista maioritário da Electra, após o governo ter chegado a acordo com Portugal sobre a empresa produtora e distribuidora de energia, anunciou segunda-feira o ministro português da Economia.
O acordo foi assinado segunda-feira à noite na Cidade da Praia entre os ministros português e cabo-verdiano da Economia e ainda os administradores da EDP e da Águas de Portugal, que até agora detinham 51 por cento das acções da Electra.
"Chegou-se a um acordo que vai ser desenvolvido nos próximos sessenta dias e que vai permitir a reestruturação financeira da Electra, o que implica uma modificação da sua estrutura accionista", afirmou o ministro português da Economia, Manuel Pinho, que esteve segunda-feira no país em reuniões com o seu homólogo cabo-verdiano.
A passagem do controlo accionista da empresa para o Estado cabo-verdiano permitirá reforçar o capital da Electra e sanear as suas dívidas, salientou Manuel Pinho, assegurando que os portugueses vão continuar a ser parceiros daquela produtora e distribuidora de energia, ainda que passem a ser minoritários.
"A Electra vai tornar-se uma empresa extremamente sólida com o capital aumentado", afirmou, considerando que "é necessário restabelecer o mais rapidamente possível o abastecimento de energia" na capital do país.
Por seu lado, o ministro da Economia e Competitividade de Cabo Verde, João Pereira Silva, afirmou que esta recomposição do capital social da empresa vai significar um esforço financeiro por parte da EDP e da Águas de Portugal (AdP).
"Isso implica despesas de dezenas de milhões de euros por parte da EDP/AdP, quer em termos de reconversão de dívidas da Electra a essas empresas, quer em termos de compra de dívidas da Electra junto da banca. Isso vai permitir à empresa recomeçar em novos moldes", afirmou João Pereira Silva.
Caso não houvesse um acordo nas negociações com o Governo português, o Executivo cabo-verdiano tinha admitido já este mês a possibilidade de acabar com a parceria entre a Electra e a EDP e AdP.
Até agora, a produtora e distribuidora de energia Electra era detida em 51 por cento por aquelas duas empresas portuguesas, enquanto o Governo cabo-verdiano detinha os restantes 49 por cento.