Estado moçambicano com 77% da exposição ao risco de crédito da bolsa de valores

Estado moçambicano com 77% da exposição ao risco de crédito da bolsa de valores

O Estado moçambicano concentrava 77% da exposição total ao risco de crédito da bolsa de valores no final de 2025, mantendo-se como a principal contraparte da instituição, apesar de uma ligeira redução face a 2024.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Segundo o relatório e contas da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), a exposição total ao Estado ascendia a 1.452 milhões de meticais (19,6 milhões de euros) em dezembro do ano passado.

Esse total inclui 853,2 milhões de meticais (11,5 milhões de euros) investidos em Bilhetes do Tesouro e 599,1 milhões de meticais (8,1 milhões de euros) de créditos sobre a Direção Nacional de Gestão da Dívida Pública (DNGDP), neste caso mais do dobro dos 292,5 milhões de meticais (quatro milhões de euros) registados em 2024.

Ainda assim, a concentração da exposição ao Estado recuou para 77% da exposição total ao risco de crédito, contra 81% em 2024.

A BVM reconhece, por outro lado, que "a concentração do risco de crédito aumentou significativamente durante 2025, em resultado do crescimento dos créditos" sobre a DNGDP, que representavam 94,7% da carteira bruta de clientes em 31 de dezembro de 2025".

"Em 2024, embora a DNGDP já constituísse uma contraparte relevante, a concentração era substancialmente inferior ao nível observado em 2025", lê-se ainda.

No conjunto, os créditos sobre clientes passaram de 284,7 milhões de meticais (3,8 milhões de euros) para 618,8 milhões de meticais (8,4 milhões de euros), um aumento de cerca de 117% num ano.

A dependência da dívida pública reflete-se igualmente na origem das receitas da bolsa.

As comissões pela emissão de ações e obrigações geraram 375,7 milhões de meticais (5,1 milhões de euros) em 2025, permanecendo como a principal fonte individual de receitas da instituição.

No capítulo dedicado à continuidade das operações, a administração admite que "uma parcela relevante das receitas da sociedade continua associada à prestação de serviços relacionados com a emissão, colocação, registo e gestão de títulos da dívida pública".

Por essa razão, alerta que "alterações na estratégia de financiamento do Estado ou uma redução do volume de emissões de títulos transacionados através da Bolsa poderão influenciar o nível de receitas futuras da Sociedade".

Face a esse risco, a administração afirma estar a promover "iniciativas destinadas à diversificação das fontes de receita e ao desenvolvimento do mercado de capitais moçambicano", incluindo "a dinamização do mercado acionista, o incentivo à emissão de obrigações corporativas, a introdução de novos instrumentos financeiros e o fortalecimento dos serviços prestados aos participantes do mercado".

A BVM é detida integralmente pelo Estado moçambicano e tem como missão organizar e gerir o mercado secundário de valores mobiliários. Em 2025, operava o mercado acionista, obrigacionista e a Central de Valores Mobiliários (CVM), assegurando igualmente serviços de negociação, liquidação, custódia, registo e gestão de títulos.

 

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