Estágios profissionais explicam um terço do crescimento do emprego privado

Os estágios profissionais têm tido um papel importante no crescimento do emprego em Portugal. A conclusão é do Banco de Portugal e faz parte do mais recente Boletim Económico lançado pela instituição.

RTP /
José Manuel Ribeiro, Reuters

Segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, o emprego por conta de outrem cresceu 2,5 por cento no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2013. Os estágios profissionais contribuíram para o crescimento do número de trabalhadores por conta de outrem em cerca de 0,9 pontos percentuais.

Os estágios profissionais são assim responsáveis por mais de um terço do emprego privado por conta de outrem criado. O número de indivíduos que se encontra em estágios profissionais tem aumentado, sobretudo desde o fim de 2013. Em setembro, mais de 40 mil pessoas estavam a beneficiar desta medida.

Os estágios profissionais são uma das principais políticas ativas de emprego promovidas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. Com o objetivo de promover a inserção de jovens no mercado de trabalho, o Estado comparticipa a realização de um estágio em contexto de trabalho.

Recentemente, o Bloco de Esquerda acusou o governo de usar os estágios para “mascarar” as contas do emprego.

Na análise à dinâmica do emprego em Portugal, a instituição liderada por Carlos Costa indica ainda que o emprego na Administração Pública se encontra em queda. Terá diminuído 3,6 por cento no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado.

Em termos homólogos, o emprego privado por conta de outrem aumentou 2,5 por cento no terceiro trimestre - um crescimento superior aos 1,6 por cento registados na primeira metade do ano.

No documento, a instituição considera que há recuperação do emprego privado desde o terceiro trimestre de 2013, "mas mais moderada do que a sugerida pelo Inquérito ao Emprego", do INE.

As conclusões surgem de uma análise realizada pelo Banco de Portugal que foi incluída no Boletim Económico divulgado esta quarta-feira. A instituição assume que a evolução do emprego, quando comparada com a evolução da atividade económica, "coloca questões", tendo por isso avaliado a sua evolução com recurso a um conjunto mais alargado de dados. 

No texto, intitulado "Dinâmica recente do emprego na economia portuguesa", o Banco de Portugal recorre a dados do Ministério do Emprego, Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, Instituto do Emprego e Formação Profissional e Instituto Nacional de Estatística.
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