Estratégia do grupo funciona melhor com "totalidade do capital" diz Lufthansa
O presidente executivo da Lufthansa mostrou-se hoje satisfeito com a entrada no capital da TAP, mas disse "não ser segredo" que a estratégia do grupo funciona melhor com a totalidade do capital.
"Hoje foi um dia importante porque assinámos o nosso investimento minoritário inicial na TAP, o que constitui, creio eu, o início de uma parceria muito bem-sucedida", afirmou o presidente executivo (CEO) do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, aos jornalistas, após a assinatura do contrato.
Contudo, vincou "não ser segredo para ninguém" que a estratégia do grupo "funciona melhor quando a empresa é detida na totalidade".
Assim, garantiu aguardar com expectativa as novas conversações com o Governo português, antes de avançar com um próximo passo.
Questionado se o grupo estaria disposto a, no futuro, reforçar a sua posição, sem atingir o controlo total da empresa, Carsten Spohr considerou ser ainda cedo para debater este assunto, tendo em conta que as negociações ainda não se iniciaram.
Já quanto aos remédios regulatórios definidos por Bruxelas, o presidente executivo da Lufthansa notou apenas que o grupo já investiu noutras companhias aéreas europeias, pelo que tem bastante experiência com a Comissão Europeia.
Esta segunda-feira, o secretário de Estado das Infraestruturas assegurou no parlamento que a Lufthansa irá arcar diretamente com eventuais remédios regulatórios que a Comissão Europeia imponha por razões de concorrência para autorizar a entrada no capital da companhia portuguesa.
Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que "existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente", mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.
O Governo selecionou, em 14 de outubro, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.
A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes (`ticketing fee`), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.