EUA e Moçambique criam grupo de trabalho para melhorar ambiente de negócios

EUA e Moçambique criam grupo de trabalho para melhorar ambiente de negócios

Os governos dos Estados Unidos da América (EUA) e de Moçambique acordaram criar um grupo de trabalho bilateral para melhorar o ambiente de negócios e atrair mais investimentos norte-americanos, disse hoje à Lusa a subsecretária adjunta norte-americana Sarah Troutman.

Lusa /

"Concordámos em criar um grupo de trabalho comercial bilateral com o Governo moçambicano, para discutir mais especificamente como podem melhorar o ambiente propício às empresas e atrair mais investimentos", disse a subsecretária adjunta do Gabinete para África no Departamento de Estado dos EUA, em entrevista exclusiva à Lusa em Maputo, à margem da visita de trabalho que realiza a Moçambique.

"Aguardamos com expetativa o seu arranque em breve, será um excelente lugar para levantar algumas das questões de ambiente propício que se nos deparam", insistiu Sarah Troutman, acrescentando: "Nós, obviamente, exortamos o Governo moçambicano a tratar as empresas norte-americanas de forma justa. Ouvimos muitos comentários da Câmara de Comércio norte-americana [Câmara de Comércio Moçambique -- EUA], enquanto estivemos aqui, e de diferentes empresas americanas, por isso estamos a levar isso muito a sério".

Segundo a governante, o anúncio da criação deste grupo de trabalho será feito oficialmente hoje e "dará a oportunidade de levantar" questões "específicas" que o Governo já tem ouvido do setor privado dos EUA, e de como "as resolver" por parte do Governo moçambicano, até "para atrair mais empresas".

Questionada pela Lusa sobre a possibilidade de Moçambique atrair mais investimento dos EUA, alargado a outros setores, Sarah Troutman defendeu serem necessárias "melhorias no ambiente" de negócios.

"Essa é a segunda parte da razão pela qual estou aqui. A primeira parte consiste em solidificar as parcerias comerciais que já temos, para obter mais informações e ver que outras oportunidades podem existir para as empresas americanas que eu possa levar para os EUA e falar com elas. E, em segundo lugar, insistir nas reformas do ambiente empresarial, para que haja condições equitativas para as empresas americanas e para que o setor privado tenha a oportunidade de prosperar aqui", insistiu.

Defendeu, no entanto, que "a melhor forma de atrair mais empresas" norte-americanas "é cuidar" das que já trabalham no país.

"A razão pela qual estou aqui é porque vemos Moçambique como um parceiro comercial capaz e um local promissor para o investimento dos EUA. Por isso, tenho vindo a discutir novas áreas de potenciais parcerias além dos projetos energéticos e mineiros que discutimos", detalhou.

Esta visita a Maputo, garantiu, não é "apenas para falar" e por isso já foi assinado hoje, na sua presença, um acordo para uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América com a Monte Muambe Mining (MMM), para analisar a viabilidade de extração de terras raras em Tete, Moçambique.

Seguiu-se a assinatura de um memorando de entendimento com o Ministério dos Transportes e Logística moçambicano, que permitirá "trazer pontes para Moçambique e desenvolver essa área crítica de infraestruturas". Em cima da mesa está a possibilidade de fornecimento e instalação em todo o país de 112 pontes metálicas, envolvendo a ANE e a empresa Conduril Engenharia, bem como a norte-americana Acrow Bridge.

"Estamos muito entusiasmados com estes resultados", assumiu Sarah Troutman, garantindo que leva "boas notícias de Moçambique".

"Foi uma visita muito útil. Vi aqui muitas oportunidades e estou entusiasmada por levar essas notícias para Washington e ver como podemos promover a nossa parceria", concluiu.

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